Chico Buarque do Brasil: textos sobre as canções, o teatro e a ficção de um artista brasileiro

LIVRO_Chico
CHICO BUARQUE DO BRASIL: TEXTOS SOBRE AS CANÇÕES, O TEATRO E A FICÇÃO DE UM ARTISTA BRASILEIRO

Rinaldo de Fernandes (Org.)
Rio de Janeiro: Editora Garamond, 2004
Tel: (21) 2224-9088
e-mail: editora@garamond.com.br
432 páginas
R$ 30,00
http://www.garamond.com.br/arquivo/278.pdf

Acessar o livro aqui

 

Colaboradores: Antonio Candido, José Saramago, Augusto Boal, Aquiles Rique Reis, Chico César, Frei Betto, Gerald Thomas, Marcelo Brum-Lemos, Silvio Rodriguez, Carlos Ribeiro, Chico Alencar, José Castello, Leonardo Boff, Maria Alzira Brum Lemos, Moacyr Scliar, Nelson de Oliveira, Regina Zappa, Rogério Pereira, Suênio Campos de Lucena, Tárik de Souza, José Nêumanne Pinto, Ricardo Soares, Sérgio de Castro Pinto, Thereza Christina Motta, Adélia Bezerra de Meneses, Affonso Romano de Sant´Anna, Amador Ribeiro Neto, Anazildo Vasconcelos da Silva, Antonio Carlos Secchin, Arturo Gouveia, Cecília Almeida Salles, Charles A. Perrone, M. Elizabeth Ginway, Ataíde Tartari, Diógenes André Vieira Maciel, Gustavo Conde, João Batista de Brito, Júlio Cesar Valladão Diniz, Luciana Eleonora de Freitas Calado, Luís Augusto Fischer, Luiz Antonio Mousinho Magalhães, Luiz Tatit, Mário Chamie, Nelson Barros da Costa, Pedro Meira Monteiro, Regina Ziberman, Rinaldo de Fernandes, Sônia L. Ramalho de Farias

Romance do simulacro
Carlos Ribeiro

Independente de se gostar ou não dos meandros obscuros e enigmáticos aos quais o ficcionista Chico Buarque nos leva em seus dois primeiros romances, uma coisa deve-se reconhecer de imediato: a qualidade da sua prosa, marcada, sobretudo, pela concisão, pela eliminação de qualquer excesso de linguagem, pelo ritmo da frase, pela elaboração minuciosa, às vezes minimalista, de imagens e dos personagens que se constroem na ação.

É na ação contínua, às vezes frenética – daí talvez o fato de se ter definido estes romances, a nosso ver mais precisamente o primeiro, como thrillers – que a trama ficcional do autor se constrói. Em Estorvo, narrado na primeira pessoa, testemunha-se o trajeto insólito de um personagem que foge de um homem de barba sólida, terno e gravata (esta é a única coisa que sabe sobre ele) materializado, à noite, sem nenhum motivo aparente, em frente ao olho mágico do seu apartamento; fuga esta que o leva, e ao leitor, a um intrincado quebra-cabeça, a uma alucinação ou pesadelo, que pode expressar os descaminhos de uma cidade, o Rio de Janeiro, e de um país, o Brasil, que não são, entretanto, jamais nomeados. Eis aí um eco de Kafka, mais um, aliás, no conjunto de um universo labiríntico e sufocante.

O homem sem nome, na cidade sem nome, transitando alternadamente entre as esferas de uma elite insensível e de pessoas que vivem à margem da legalidade, pode ser um outro modo de ver o Brasil que está nas músicas e nas letras do compositor Chico Buarque. O Brasil cuja identidade se perde gradativamente e que o autor das canções da utopia, do protesto e da melancolia não conseguiu impedir de se transformar num simulacro, num reflexo distorcido de si mesmo. Não é à toa que, mesmo nas cenas que acontecem durante o dia, Estorvo pareça estar sempre acontecendo à noite: numa noite psicológica, de medo, paranóia, perigo, solidão. E que em Benjamim, o personagem título, como bem observou Heitor Ferraz Mello (Cult, maio/2003), ao se imaginar sempre com uma câmera filmando seus movimentos, perca a naturalidade do sujeito para a representação de si mesmo. Ao contrário do criador de um universo musical no qual se insere como agente transformador, o narrador e/ou protagonista do romance torna-se um títere submetido a um poder despersonalizado – à sociedade como uma máquina desumanizante que tritura e destrói, após exigir dele o que ele não é e nem pode ser.

Com um protagonista menos difuso e angustiado que o de Estorvo, Benjamim, narrado na terceira pessoa por um narrador onisciente, traz a mesma atmosfera em que sonho e realidade se fundem, às vezes com características surrealistas – há, por exemplo, um toque buñuelesco na cena em que uma pick-up transporta uma girafa “nua”, envolta num plástico preto –, mas num conjunto em que, entretanto, tudo se explica logicamente (o que só faz acentuar a sua estranheza).

Nesses romances inexiste o país das músicas de Chico: o país do samba, do futebol, da ditadura militar, da gente humilde dos subúrbios, da esperança, dos desencontros amorosos, das relações partidas. Neles, a verdade estética está mais distanciada da verdade histórica, a ponto de duvidarmos se o ficcionista Chico Buarque é mesmo o compositor Chico Buarque.

Mas há, sim, um ponto que une ambos: a preocupação com a linguagem e o rigor formal com que trabalha suas obras: o mesmo que está presente em cada sílaba da sua antológica “Construção”, e em grande parte do seu Benjamim. Rigor este que podemos ver já na primeira frase do livro e que revela como uma das suas principais características, a riqueza das imagens: “O pelotão estava em forma, a voz do comando foi enérgica e a fuzilaria produziu um único estrondo”. Que prossegue na segunda: “Mas para Benjamim Zambraia soou como um rufo, e ele poderia dizer em que ordem haviam disparado as doze armas ali defronte”. E que encontramos ao longo do livro, muitas vezes, num texto marcado pela sobriedade e pela recusa a metáforas fáceis, ao ponto de, como em Kafka, se revestir de uma qualidade prosaica, enganosa. “Mesmo quando estava em grande evidência, Benjamim não costumava ser abordado na rua. Saudavam-no às vezes com familiaridade equivocada, convencidos de conhecê-lo de vernissages, de alguma ilha, quem sabe do Jockey Club, de convenções ou de um transatlântico. Mas as pessoas mais sérias sem dúvida desconfiavam de um cidadão assim onipresente, que ostentava saúde, fortuna, simpatia, e não tinha nome. O próprio Benjamim sentia-se ludibriado por aquela glória crescente, que tornava cada dia mais profundo o seu anonimato”.

Aqui está o autor (e)laborando, na sua fina carpintaria, uma história que começa no momento dramático do seu desenlace, que inicia no seu clímax – e que passa a ser narrada, de chofre, retrospectivamente, justo no momento em que nada mais pode ser alterado. A história é apresentada para o leitor como um caleidoscópio, no qual vão, pouco a pouco, ganhando voz, rosto e sentido, seus personagens: o protagonista Benjamim Zambraia, ex-modelo fotográfico que persegue obsessivamente a imagem de uma antiga paixão – Castana Beatriz, assassinada nos anos 70, juntamente com seu amante, professor Douglas, ativista político; Ariela Masé, suposta filha de Castana Beatriz, que personifica o enigma e a redenção perseguidos por Benjamim e em torno da qual ele procura remontar o quebra-cabeça da sua vida; e mais um elenco de personagens secundárias, a exemplo do ex-puxador de carros Aliandro Esgarate (ou, a partir da página 69, quando, em sua ânsia de ascensão social, reaparece como inescrupuloso candidato a um cargo político, Alyandro Sgaratti, “o companheiro xifópago do cidadão”); doutor Campoceleste, dono da Imobiliária Cantagalo, na qual Ariela trabalha e pai de Castana, que ele deserdou tão logo soube ter ela engravidado (não de Benjamim, como pensara inicialmente, mas “de outro aproveitador”, o professor Douglas Saavedra Ribajó); G. Gâmbolo, proprietário da empresa de Publicidade e Marketing, em torno da qual giram os interesses profissionais e políticos de Benjamim e Alyandro; e Jeovan, cabo da Polícia Militar, inválido devido a um tiro na espinha – namorado de Ariela e, como se revela ao final, peça decisiva no desenlace trágico da aventura/desventura de Benjamim. Há ainda outro elemento recorrente: a Pedra do Elefante, em torno da qual acontecem, obsessivamente, os encontros e desencontros de Benjamim e Castana, de Benjamim e Ariela.

É em torno desses elementos que se desenrola a trama, que evolui de forma circular, um pouco menos sufocante que em Estorvo, é verdade, mas tal como aquele, marcado por uma “soturna circunspecção”, característica, como bem lembrou José Guilherme Merquior, do nouveau roman.

Os críticos do ficcionista Chico Buarque, se considerados seriamente, jamais podem acusá-lo de qualquer tipo de concessão, seja à literatura fácil de consumo, seja ao mercado, seja ao experimentalismo vazio. Podem achar seus romances maçantes ou pretensiosos, mas não destituídos de significados. (E, vale lembrar aqui Ezra Pound, quando afirma que “Literatura é linguagem carregada de significado”). A inexistência do humor e da ironia que iluminam a obra musical do autor de “Apesar de você” (e que estão presentes no novo romance do autor, Budapeste) é um fato que só depõe contra o romancista quando se o vê projetado contra o pano de fundo do genial compositor, ou, segundo dizem, do homem Francisco Buarque de Holanda. Aliás, nos extremos dos que louvam e dos que atacam o ficcionista Chico Buarque parece estar sempre a impossibilidade de desvinculá-lo do homem e da sua persona.

Benjamim, bem como Estorvo e o recente Budapeste, são títulos importantes no contexto da literatura brasileira contemporânea. Literatura de boa qualidade, sim, na medida em que, voltando mais uma vez a Pound, esta é “novidade que permanece novidade”; na medida em que foi construída por um escritor que trabalha as palavras com o talento e a honestidade que só um autêntico criador pode ter.

CHICO, O PÁSSARO
RINALDO DE FERNANDES
Professor de literatura e escritor

Este livro presta homenagem a Chico Buarque de Hollanda nos seus 60 anos. A forma mais significativa que encontrei para reverenciar Chico foi convidar personalidades da cultura brasileira – ensaístas, jornalistas, ficcionistas e poetas – para produzirem textos tratando de vários aspectos da sua obra. Os textos aqui, em sua grande maioria inéditos, interpretam uma série de canções, o teatro e a ficção do autor de Estorvo. O livro traz também depoimentos exclusivos. Pretende-se, portanto, uma espécie de balanço da atividade artística de Chico até Budapeste, seu romance mais recente.

“Louvemos Chico Buarque”, diz Antonio Candido, em (breve e, pelo poder de síntese, magnífico) texto feito especialmente para constar da presente obra. Louvemos…

Brindemos a José Saramago, que, em artigo publicado primeiro na Folha de S. Paulo (setembro/2003) e aqui reproduzido, vê em cada página de Budapeste uma “interpelação filosófica” e uma “provocação ontológica” acerca da realidade e da figura do autor. Brindemos…

Na seção inicial, os depoimentos de Augusto Boal, Aquiles (MPB-4), Chico César, Frei Betto, Gerald Thomas, Marcelo Brum-Lemos e Silvio Rodríguez ganham uma dimensão mais ampla. Afetivos, alguns líricos, esses depoimentos revelam o apreço que, afinal, todos (os sensíveis e comprometidos com a dignidade da vida) temos pelo autor de “Apesar de você”. Não sei, mas Chico – tanto tempo depois de “A banda”; tanto tempo depois de ter a imagem de bom moço rompida com a agressiva peça Roda viva – voltou a ser uma espécie de “unanimidade nacional”. Chico passa confiança, é ético. Torna-se unânime especialmente entre aqueles que, apesar de tudo, também são éticos, confiantes. É um tesouro que possuímos. Peça raríssima. Caetano Veloso talvez tenha dito tudo sobre o Chico de todos os instantes: “Chico foi, em todas as oportunidades, o mais elegante, discreto e generoso de todos os nossos colegas. Conheço-o bem e sempre soube que é isso que ele é…”. Elegante, discreto, generoso – ouçamos bem isto… Num país deselegante, indiscreto e pouco generoso com boa parte de sua população, Chico é coro contrário – ainda.

Na segunda seção estão os jornalistas e escritores. Carlos Ribeiro, tratando dos romances (em especial, de Benjamim), em certo passo avalia algo muito interessante – a diferença entre o ficcionista e o compositor Chico Buarque; Chico Alencar, candidato a cronista, e como se envergando a camisa do Politheama, bate bola com os versos do compositor, em texto agradável, lúdico; José Castello, vendo a questão do duplo e/ou do jogo de imagens, volta-se para o “estupendo romance” Benjamim; Leonardo Boff, consistente e comovente, interpreta “Gente humilde” e “Deus lhe pague” à luz do humanismo cristão; Maria Alzira Brum Lemos celebra as canções com que o autor de “Vai passar” soube nos traduzir; Moacyr Scliar defende que Chico fica em “primeiro plano” na geração 60; Nelson de Oliveira, em mais um de seus “anseios crípticos”, traz sua apreciação do Estorvo; Regina Zappa (autora de Chico Buarque: para todos, biografia autorizada do compositor/escritor), em crônica saborosa, soletra algumas das “vertigens” que atacam o artista; Rogério Pereira, atento aos personagens, ao “movimento contínuo” entre “os tempos e as buscas” deles, trilha os três romances de Chico; e Suênio Campos de Lucena aplaude o criador atípico, que acerta (“com folga”) em praticamente tudo o que faz.

Propus a alguns poetas que produzissem poemas baseados em “A banda”, de Chico. Sei que não é fácil, para certos criadores, fazer texto por encomenda. Sei que a coisa pode sair inacabada, imperfeita – mas o inverso é também verdadeiro. Como é o caso aqui (e como foi o caso do livro que organizei em 2002, O Clarim e a Oração: cem anos de Os sertões, no qual há bons poemas de Adriano Espínola, Alberto da Cunha Melo, Marcus Accioly, Mário Chamie, Thiago de Mello, entre outros; no livro incluí também, com a devida autorização do autor, o engenhoso poema “Intradução: prisioneiro de Euclides”, de Augusto de Campos, que, embora não tenha sido escrito por encomenda, foi feito para ilustrar um argumento importante de seu ensaio “Transertões” – o de que podem ser identificados “verdadeiros poemas autônomos” em Os sertões). O leitor, portanto, na terceira seção, terá a boa companhia dos poetas José Nêumanne Pinto (“a banda toca/ e o tempo é parco/ a banda pára/ e a vida passa/ a banda volta/ e o tempo voa”), Ricardo Soares (“a banda passou tão antiga/ na altura da minha barriga apoiada na janela/ e de onde eu avistava a banda/ não via a porta da entrada/ de um país delicado e perdido”), Sérgio de Castro Pinto (“a minha banda à toa/ a minha banda voou/ a unidade perdida/ na outra banda encontrou”) e Thereza Christina Motta (“que desencanto doce lembrar/ que ‘A banda’ passou”).

Também estão aqui, compondo a quarta seção, a mais ampla do livro, ensaístas de grande talento. Muitos se empenharam em produzir textos claros, buscando traduzir para o leitor médio elementos importantes para um bom entendimento da poética de Chico Buarque. Adélia Bezerra de Meneses (autora de dois dos principais estudos sobre a poesia de Chico – Desenho mágico: poesia e política em Chico Buarque e Figuras do feminino na canção de Chico Buarque) traz uma reflexão rica acerca do tempo e de alguns aspectos do ritmo poético tendo como base a canção “Tempo e artista”; Amador Ribeiro Neto esmiúça o CD As cidades; Anazildo Vasconcelos da Silva – com a autoridade de quem foi um dos primeiros acadêmicos a se deter na obra do autor de “Deus lhe pague” no livro A poética de Chico Buarque, de 1974 – define o conteúdo da canção de protesto e a forma do protesto na canção de Chico; Antonio Carlos Secchin verte e inverte o texto de “As vitrines”; Arturo Gouveia lê a astúcia na ação e a argúcia na elaboração da Ópera do malandro; Cecilia Almeida Salles adentra o ambiente “duvidoso” ou “incerto” do Estorvo, esse verdadeiro “romance hipotético”; Charles A. Perrone, M. Elizabeth Ginway e Ataíde Tartari, em texto conjunto, passeiam em certas canções e brindam nos bosques da ficção e do teatro buarqueanos; Diógenes André Vieira Maciel esquadrinha Roda viva, Calabar, Gota d’água e Ópera do malandro; Gustavo Conde, entre sério e sorridente, situa bem o humor na canção de Chico; João Batista de Brito, espectador seduzido, sempre, examina as relações de Chico com o cinema; Júlio Cesar Valladão Diniz, analista atento, crítico, da indústria fonográfica, interessa-se sobretudo pelo dono da voz ou pela “voz que virou mercadoria”; Luciana Eleonora de Freitas Calado investiga as inversões semânticas, a carnavalização nas composições de Chico; Luís Augusto Fischer discute primeiro as representações de Iracema na cultura brasileira (Alencar, Adoniran Barbosa), para em seguida situar o drama da migração em “Iracema voou”; Luiz Antonio Mousinho Magalhães, enternecido ao final, comenta as crônicas de Clarice Lispector que se referem a Chico e que saíram, entre 1967 e 1973, no Jornal do Brasil; Luiz Tatit, agudo, aborda “Pedaço de mim”; Mário Chamie, repetindo o belo ensaísta de Caminhos da Carta, enfatiza a presença na MPB, especialmente em “Construção”, de certas proposições da sua Poesia Práxis; Nelson Barros da Costa, entre outras coisas, busca o conceito de MPB (no conjunto do livro, algo muito importante) e tenta estabelecer o posicionamento ou a vertente estético-ideológica do cancionista Chico; Pedro Meira Monteiro, convergente, vê passagens do historiador Sérgio Buarque ressoando no ficcionista Chico Buarque (em Benjamim); Regina Zilberman, convincente, avalia a alegoria e indica a atualidade da novela Fazenda modelo; Sônia L. Ramalho de Farias, fixando-se nas “fraturas identitárias”, desata e ata a narrativa de Budapeste; e este organizador traz como contribuição um ensaio sobre “Mulheres de Atenas” – abordo a condição da mulher e/ou da esposa na Grécia antiga, vendo a canção de Chico/Boal como uma metáfora da submissão feminina, não só no mundo grego, mas no próprio Ocidente.

Dois textos foram transcritos de livros anteriores – “Chico Buarque: a música contra o silêncio”, de Affonso Romano de Sant’Anna, que se encontra em Música popular e moderna poesia brasileira; e “Chico Buarque – ‘O que não tem censura nem nunca terá’”, de Tárik de Souza, que consta de O som nosso de cada dia. Dois textos importantes – o de Affonso tornou-se um dos primeiros balanços significativos da produção inicial (até 1973) do letrista/poeta Chico Buarque; o de Tárik traz, entre outras coisas, uma avaliação dos vários ritmos e gêneros pelos quais Chico incursionou (até 1981) e que o tornaram um dos compositores mais versáteis da MPB. Agradeço aos dois autores por me autorizarem a inclusão de seus textos na presente publicação.

Agradeço a todos os colaboradores do livro. Foram muito atenciosos comigo!

Alguns agradecimentos especiais: ao professor Antonio Candido, pela atenção que me foi dispensada e pelo envio de sua “Louvação”; a Ray-Güde Mertin, agente literária de José Saramago, pelo profissionalismo; a Adélia Bezerra de Meneses, que me indicou nomes e me tratou com muita delicadeza; a Maria Alzira Brum Lemos, que contribuiu bastante para a publicação deste livro (entusiasmada desde o início com o projeto, Maria Alzira me apresentou ao editor Ari Roitman, que acolheu muito bem a minha idéia, abrindo-me as portas da Editora Garamond); a Gilberto Mendonça Teles, a Miriam V. Gárate, professora da UNICAMP (IEL), e a Rogério Pereira, editor do suplemento literário Rascunho, de Curitiba, que também me indicaram nomes, me cederam e-mails, sempre com muita paciência; a Chico Alencar, pela atenção e por me auxiliar na definição do título do livro (na verdade, somente o subtítulo é meu, e Chico Alencar ainda amarrou ao mesmo a boa expressão “um artista brasileiro”); a José Nêumanne Pinto, por contribuir, uma vez mais, com um projeto que encabeço, dando sugestões, facilitando as coisas; ao poeta Mário Chamie e ao romancista Ataíde Tartari, pelo estímulo (especialmente durante o nosso eterno bate-papo aos sábados, na Livraria Azteca, em São Paulo); a Diógenes Maciel, pelos textos sobre o teatro de Chico que me recomendou; ao jornalista e escritor Suênio Campos de Lucena, pelo empenho em algumas frentes; ao professor e poeta Carlos Gildemar Pontes, por ter me auxiliado, alguns anos atrás, em entrevista que fiz com Chico Buarque; e, sobretudo, a Sandra, permanente paixão…

O leitor, é certo, sairá deste livro compreendendo muitos dos significados da obra de um dos principais artistas brasileiros de todos os tempos. Uma cronologia vem posta logo no início. Assim, o leitor irá para os textos já tendo uma série de informações acerca da trajetória artística de Chico Buarque; já tendo uma boa noção do que foi dito – e em que momento foi dito – sobre o compositor/escritor. Há ainda, na parte final do livro, lista das obras, indicação de sites e de 60 textos (entre livros, artigos, reportagens, entrevistas e trabalhos acadêmicos) sobre o autor de “Sabiá”.

Por fim, uma história.

Uma tarde. Um pequeno hotel à beira-mar. Eu na janela do quarto. Em volta, tudo muito tranqüilo – as águas, adiante, brilhando. De repente, com o vento, os laços de sol amarelos, prendendo o bico de um pássaro pousado na palha de um coqueiro próximo, se desataram. Mas que canto belo, limpo!

O pássaro – me contaram ainda ali no hotel – costumava parar no coqueiro. E um funcionário da limpeza, para homenagear um amigo, pôs-lhe um nome.

Chamava-se Chico…

Abril/2004

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