82: Uma Copa / Quinze Histórias

Quinze autores brasileiros apresentam suas versões literárias em torno de uma das mais doloridas derrotas nacionais, só comparável em dramaticidade com o Maracanaço de 1950. Para o organizador da coletânea, Mayrant Gallo, os autores são privilegiados entre os que viveram aquele jogo porque puderam expurgar sua decepção através da Literatura. “É um livro de várias histórias, com vários estilos, vários tons, vários pontos de vista. Há contos para todo e qualquer gosto. Só o assunto é o mesmo, o sarriaço de 1982. Talvez o livro se torne um amuleto, às avessas, para ganharmos a Copa do Mundo. E vamos precisar mesmo”, afirma.
A coletânea reúne contos dos escritores Carlos Barbosa, Carlos Ribeiro, Carlos Vilarinho, Dênisson padilha Filho, Elieser Cesar, Flamarion Silva, Gustavo Rios, Igor Rossoni, Lima Trindade, Luís Pimentel, Lupeu Lacerda, Mayrant Gallo, Rodrigo Melo, Sidney Rocha e Tom Correia.

 

CAPA - 82 UMA COPA 15 HISTÓRIAS82: UMA COPA / QUINZE HISTÓRIAS

Anajé: Casarão do Verbo, 2013
(Org. Mayrant Gallo)
155 páginas
R$ 30
Tel: (11) 9918-3436
roselbonfim@hotmail.com

 

 

Lembranças e reflexões
(Tostão)

Ontem, dois dias antes do jogo contra a Itália, foi lançado, em Salvador, o livro “82: Uma Copa, 15 Histórias”, uma seleção de contos de poetas e escritores, organizada por Mayrant Gallo, sobre a tragédia de Sarriá (5 de julho de 1982). Os autores contam o que faziam e o que sentiam no dia do jogo. Tive o prazer de fazer a orelha do livro.

Na época, terminava meu primeiro ano de residência de clínica médica, no Hospital das Clínicas, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Trabalhava e estudava muito. Não tinha tempo para acompanhar futebol.

Mesmo assim, troquei meus plantões para assistir à seleção brasileira. Foi triste a derrota.

O operatório Dunga disse que não entende por que a seleção de 1982, que perdeu, é mais festejada que a de 1994, que venceu. Ele nunca vai entender.

Discordo que a derrota de 1982 foi o motivo da transformação do futebol, para pior, e que todos passaram a seguir a pragmática Itália.

O futebol mudou no Brasil, a partir da Copa de 1970. A seleção que encantou o mundo foi a grande inspiradora do futebol moderno.

Por causa da excelente preparação científica, revolucionária para a época, surgiram, progressivamente, em todos os clubes, grandes comissões técnicas, com vários especialistas, além de excelentes estruturas profissionais, de treinamento e apoio aos atletas.

Com isso, houve uma supervalorização do jogo tático e físico, em detrimento do talento e da improvisação. Os técnicos tomaram conta do futebol. O jogo ficou feio e ruim. Proliferaram também as discussões, inúteis, que continuam até hoje, entre futebol de resultado versus futebol bonito.

Quem joga bem costuma jogar bonito e vencer. José Miguel Wisnik chamou o período entre 1974 e 1994 de intermezzo. Coincidentemente, o Brasil não ganhou um único título mundial. A seleção de 1982 foi uma exceção nesse período de declínio.

A partir da Copa de 1994, o futebol teve altos e baixos. Melhorou nos últimos dez anos, especialmente entre os times da Europa, que contrataram os melhores jogadores do mundo, formaram campeonatos organizados e com excepcionais gramados e passaram a jogar em um estilo mais agradável, de troca de passes.

As grandes equipes são melhores que as seleções. No Brasil e na América do Sul, por causa da saída dos melhores atletas, acontece o contrário.

O dilema entre a vitória e o encanto transcende o futebol. Tem a ver com as dúvidas existenciais do ser humano, dividido entre a razão e a paixão, entre os devaneios individuais e os interesses coletivos, entre a imaginação e o simbólico.

Tostão, médico e ex-jogador, é um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1970. Afastou-se dos campos devido ao agravamento de um problema de descolamento da retina. Como comentarista esportivo, colaborou com a TV Bandeirantes e com a ESPN Brasil. Escreve às quartas e domingos na versão impressa de “Esporte”.

 

Sumário

Lima Trindade TODA A ARTE DO FUTEBOL
11
Elieser Cesar CARTÃO VERMELHO
21
Rodrigo Melo A CULPA FOI MINHA  39
Gustavo Rios NADA MAIS NESSE MUNDO 47
Mayrant Gallo O PINTOR DE PAREDES 63
Carlos Ribeiro ELEGÂNCIA 71
Flamarion Silva TRAGÉDIA EM DOIS TEMPOS 81
Lupeu Lacerda EU, RAMÓN  87
Luís Pimentel EU PODERIA TER EVITADO  95
Dênisson Padilha Filho DEPOIS DO IPÊ-AMARELO  103
Carlos Vilarinho ARRIVERDECI, GAROTO!  109
Carlos Barbosa JOGO DE CINTURA  123
Igor Rossoni O DIA DEPOIS DE ONTEM  129
Sidney Rocha DECAMERON  137
Tom Correia REBOTE  145

 

Acesse o blog do livro clicando aqui.

 

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