“Sem lirismo não há arte”

ENTREVISTA: RUY ESPINHEIRA FILHO

Jornal A Tarde – 15/07/06
Carlos Ribeiro


SONETO DOS JABUTIS

A James Amado,
Que convenceu minha mulher, Maria da Paixão,
A comprar-me um jovem casal de jabutis, quando (2006)
me foi concedido o 2 lugar de poesia no Prêmio Jabuti,
da Câmara Brasileira do Livro.

Embora ainda infantes, vivem meditando,
como se velhos sábios de saber profundo.
Eu ainda não sei o que acham do mundo
e da existência, mas por certo estão pensando

sempre belos pensares. E isto mesmo quando
– num ritmo alexandrino, ondulante e rotundo –
passeiam, pois é claro que estão ruminando
do que há de leve e aéreo ao mais pesado e fundo

Nós, humanos, nos cremos seres superiores,
mas cegamente vamos aonde os ventos vão
– muitos de estupidez, hipocrisia, horrores.

Os jabutis, porém, não se perdem, pois são
vidas iluminadas pelos resplendores
do grande Deus Quelônio da Meditação
.

RUY ESPINHEIRA FILHO


A premiação pela Academia Brasileira de Letras e a conquista do segundo lugar no Prêmio Jabuti 2006 para o livro Elegia de agosto e outros poemas, de Ruy Espinheira Filho, autor de mais de vinte livros, entre poesia, romance, novela, conto, crônica, ensaio e literatura infantil e juvenil, não é uma surpresa para quem acompanha a trajetória do autor. Ruy, que já venceu outros importantes prêmios nacionais – como o Cruz e Souza, de Santa Catarina, por As sombras luminosas (1981); o Rio de Literatura, 2º lugar, com o romance Ângelo Sobral desce aos infernos (1985), e o Ribeiro Couto, da União Brasileira de Escritores – UBE, por Memória da Chuva (1997) –. foi também duas vezes finalista do Prêmio Jabuti (em 1997, com o citado Memória da chuva, e em 2002, com o ensaio Tumulto de amor e outros tumultos – criação e arte em Mário de Andrade). O reconhecimento da Academia, entretanto, é significativo por mostrar que a prestigiada instituição está atenta para o que é feito de melhor, em poesia, no país. A decisão de dar o prêmio a Ruy Espinheira Filho é sinal de que nem todos embarcaram na idéia, vendida ao longo das últimas décadas, de que é possível “fazer poesia” sem lirismo, de forma meramente racional. É sobre isto, entre outras coisas, que fala o escritor baiano, nascido em 1942, na entrevista abaixo, com a ênfase própria de quem dedica sua vida a denunciar imposturas, além, é claro, de construir uma obra sólida, que já conta com traduções na França, na Itália, na Espanha e nos Estados Unidos.

Que aspecto dessa premiação você pode ressaltar do ponto de vista do reconhecimento e da representatividade da poesia que é feita no Brasil, hoje?
O Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras é realmente um reconhecimento. No caso, prêmio para um livro — Elegia de agosto e outros poemas — considerado o melhor publicado no ano anterior. Sinto-me particularmente gratificado porque a comissão julgadora foi composta por três nomes que se destacam muito nos campos da crítica, da ensaística e da própria poesia: Lêdo Ivo, Ivan Junqueira e Antonio Carlos Secchin. Cada um de uma geração — e todos figuras exponenciais. Não se trata, portanto, de prêmio concedido por motivos menores, como ação entre amigos de uma mesma tendência literária, para reforço de grupo, ou de máfia. Porque minha poesia não pertence a nenhuma “escola”, flui do legado lírico ocidental, apenas, sem qualquer fundamentalismo estético, por assim dizer. Quero acrescentar que devo também esse prêmio a duas pessoas, e a elas o dedico em particular: Rosemary Alves, minha editora, e a Miguel Sanches Neto, que indicou Elegia de agosto à Rosemary. Sem eles, o livro não existiria — e muito menos o prêmio, é claro.

O prêmio significa uma revalorização da poesia lírica?
A poesia lírica não precisa de nenhuma revalorização. Aliás, nem deveríamos falar em poesia lírica, pois toda poesia, digna deste nome, é poesia lírica. Um João Cabral de Melo Neto, por exemplo, passou a vida falando contra o lirismo, mas a poesia dele que vai ficar é a lírica. A parte unicamente raciocinante, cerebral, é apenas artesanato, não é arte. Engana a certos críticos e professores, mas não o leitor de poesia. Quanto à poesia épica, se tirarmos dela o lirismo só restará um relato prosaico. Em suma, a única poesia que existe é a poesia lírica. O resto é parnasianismo, concretismo, construtivismo e indigências que tais.

Retornando a João Cabral, ele passou a vida angustiado com o processo de criação, pois abominava admitir a inspiração. Vendo que sem ela, a inspiração, ficava muito difícil (em alguns poemas ele fala das muitas horas que passara tentando inutilmente escrever ao menos um verso — e sabemos que às vezes levava anos para concluir um único poema), acabou obcecado pelo tema e escreveu inúmeros poemas sobre o problema, como “A lição de poesia”, onde se queixa da incapacidade de criar (em outras palavras: falta de inspiração…), das dificuldades que tem o poeta em salvar “monstros/germinados em seu tinteiro”. Ora, se tudo é criação intelectual, racional, como surgiram tais “monstros”? E por que tais dificuldades, se ele era o intelectual que era e perfeito conhecer do artesanato poético, isto é, das técnicas? São, como já disse, inúmeros os poemas sobre esta temática. E há alguns que lembram pura e simplesmente o parnasianismo, como “Catar feijão”, no qual era compara a construção poética com o ato de catar feijão. Este texto faz a alegria de muitos críticos e professores, mas não passa de uma versão moderna da “Profissão de fé”, de Olavo Bilac, substituindo-se o trabalho do ourives pelo do catador de feijão. Temos que lembrar também de outro Bilac: o que entrou em desespero por causa das imposições que ele mesmo elogiara na “Profissão de fé”. No poema “Inania verba”, por exemplo, ele se refere à “palavra pesada” que abafava a “idéia leve”, e dizia que a forma (parnasiana) era “fria e espessa”, semelhante a um “sepulcro de neve”. Por sua vez, detestando os românticos, Cabral foi — em grande parte de sua obra — ao encontro dos parnasianos. O problema é que as idiossincrasias cabralinas passaram a ser adotadas como “método” por muita gente — que, catando feijão, em lugar de poesia acaba produzindo indigestas feijoadas. Mas João Cabral era poeta, um grande poeta, e estava além das idiossincrasias. Numa entrevista dos fins dos anos 90, ele admitiu que, apesar de tudo o que vivia dizendo, fazia uma poesia não-racional, do contrário só teria podido escrever “fórmulas matemáticas”. Quer dizer: não teria conseguido ser poeta. Assim como Bilac não era um mero ourives da palavra, do contrário estaria esquecido como tantos outros parnasianos, João Cabral não foi apenas um catador de feijão, como tantos críticos e professores (e pior: tantos candidatos a poeta) parecem pensar.

Como você situa Elegia de agosto e outros poemas no conjunto de sua obra? Existe alguma mudança, em nível formal ou temático, em relação a outros livros seus?
Eu diria que Elegia de agosto é uma continuação do meu trabalho anterior. Não existem propriamente mudanças, pois formalmente eu sempre procurei explorar todas as possibilidades poéticas. Melhor dizendo: há sempre mudanças de um poema para outro, formalmente falando: aqui o soneto, ali a canção, adiante o verso livre… Aliás, nunca é demais lembrar que o verso livre não existe. E é muito mais difícil, pois cada um deles tem que ter a sua medida, a sua musicalidade, a sua cadência. A tragédia é que as pessoas pensam que escrever verso livre é só jogar umas linhas irregulares sobre o papel. Ora, quem não é capaz do verso medido não consegue escrever verso livre que preste. Manuel Bandeira dizia não confiar em poeta que não tivesse o verso medido nos ouvidos. Quanto aos temas, são sempre os temas do homem: o amor, a morte, a perplexidade diante da vida. Enfim, os temas essenciais e, enquanto durar a humanidade, eternos. Mas claro que também falo de outras coisas, do simples cotidiano, às vezes com puro humor. Quanto a uma evolução na minha poesia, lembro que críticos como o Ivan Junqueira escreveram que ela já nasceu — a poesia publicada, evidentemente — madura. Espero que, com a vida e os estudos, ela se tenha tornado mais e mais densa e expressiva. Mas isto é assunto para a crítica.

Em um mundo marcado, cada dia mais, pelo pragmatismo e pela supervalorização do entretenimento, existe uma escassez maior de leitores aptos a compreender e a sentir uma poesia, como diria Ezra Pound, com um alto grau de significação?
Nunca houve muita gente capaz dessa compreensão. Os grandes leitores — como os grandes artistas — sempre foram raros. Os pragmáticos existem desde sempre, assim como os que não vão além do mero entretenimento. Para a leitura é também necessário um talento especial. Todo mundo pode ser alfabetizado, mas só uma parcela chegará à verdadeira fruição da literatura. O mundo atual é bastante estúpido, sim, mas quando o mundo, alguma vez, não foi estúpido? Por outro lado, continua a haver talento e fruição de alto nível. E aproveito para acrescentar que sempre considerei o leitor comum o melhor leitor. Modéstia à parte, pois me considero também um leitor comum.

A propósito disto, há um texto de Paul Valéry, no qual ele denuncia, já no início do século XX, a escassez de um “capital humano”, ou seja, de pessoas aptas a interpretar a rica herança cultural da humanidade . Um século após a publicação do texto de Valèry, há de fato a ausência de leitores devidamente instrumentalizados, inclusive dentro dos próprios institutos de letras?
Valéry às vezes exagerava e escorregava no equívoco — como quando levou a sério, e por bastante tempo, a Filosofia da composição, de Edgar Alan Poe. A verdade é que Valéry continua sendo lido hoje e sua fama cresce. Claro que gostaríamos que houvesse mais desse “capital humano”, porém, como já falei, ele nunca foi muito extenso. Quanto aos institutos de letras, creio que funcionam quando ensinam gramática, lingüística, história, ensaística e crítica literárias. Mas, quando entram no terreno da literatura… não entram. Porque a literatura é uma arte, e arte nenhuma pode ser ensinada. Pode-se ensinar técnica, artesanato, história , mas não arte. Lembrando Noel Rosa, ninguém aprende samba no colégio. Como sempre, há maus e bons professores. Alguns realmente possuem, além da base cultural, sensibilidade para a literatura. Não creio, porém, que sejam a maioria, sequer uma minoria representativa. E, já que você citou Valéry, é bom lembrar que ele uma vez escreveu que o grande problema é que muita gente que não gosta de poesia, que não sente necessidade dela, passa a vida falando de poesia, julgando a poesia, “ensinando” poesia — o que, acrescento, mais que um problema, é uma tragédia. E é o que se verifica intensamente — nas escolas, na crítica, no ensaio.

Miguel Sanches Neto diz, na orelha do livro, que você é um poeta da linhagem de Carlos Drummond de Andrade. Como você vê esta linhagem, que autores inclui e qual a importância dela para a nossa cultura?
Drummond foi quem melhor aproveitou e desenvolveu as lições do modernismo. Seus grandes mestres, no Brasil, foram Mário de Andrade e Manuel Bandeira. O que o Miguel Sanches Neto disse é que eu sou herdeiro dessa herança, que é muito rica. Uma herança que me ensinou a desconfiar de “vanguardas” reacionárias como a Geração de 45 e o Concretismo, escolinhas neoparnasianas, e a não cair na facilidade da chamada Poesia Marginal e similares. Acusam a modernismo de falta de exigência estética, responsabilizando-o pelos abusos do versolibrismo apático e desleixado. Ora, a apatia e o desleixo são problemas de maus poetas, não do modernismo, que produziu versos livres da mais alta qualidade, o que se prolonga até os dias de hoje. Esse “verso livre” que, na verdade, como já foi dito, não existe — porque em arte, qualquer arte, não há nunca liberdade: tudo é rigor. A liberdade é do poeta se expressar — mas a expressão, em si, é toda rigor. Se o candidato a artista não compreende isto, nada feito. Muitos poetas pensaram, como já falei, que fazer verso livre é só traçar umas linhas irregulares. Aí, não foi o modernismo que quebrou a cara — foram eles. Porque o verso moderno, que também não é tão moderno assim, data de séculos, o que buscou foi acrescentar em termos de riqueza rítmica, praticar os ritmos “inumeráveis” de que falava Bandeira. Sem a ajuda técnica exterior que norteia as formas fixas. Mário de Andrade, que tanto combateu, no início, a forma pré-fixada, a forma preexistente dos parnasianos, teve depois que combater a falta de forma dos que não entenderam as lições modernistas. Lições admiráveis, seguidas por todos que depois fizeram poesia de alto nível. Lições que, na verdade, só podem ser mesmo seguidas por poetas dignos deste nome, nunca pelos que sabem apenas ganir suas “verdades” em vanguardinhas reacionárias… É bom dizer ainda que, com o advento dos neoparnasianos (os de 45, os concretistas e similares), quase retornamos ao tempo do domínio do velho parnaso. Tanto que Antonio Candido escreveu que aqueles poetas, dos anos 50, não produziam poesia, mas apenas poéticas, e que a poesia só se fortaleceria novamente quando as “correntes represadas da inspiração” conseguissem romper aquela barragem. Antonio Candido estava, é claro, pensando apenas no Sul e no Sudeste, pois no Nordeste as correntes da inspiração nunca se deixaram represar, a não ser em alguns casos sem maior importância. Também fora do Nordeste a poesia continuava, acima da barulhada “vanguardista”, pois naquela época ainda produziam coisas admiráveis gente como Drummond, Cecília, Vinícius e outros. Agora, se a imprensa, os críticos e os professores estavam fascinados pelo barulho, concedendo-lhe os maiores e melhores espaços, problema deles. A poesia continuou — e continua. E continuará.

Você denuncia, portanto, de forma muito enfática, a supervalorização de poetas “inteligentes”, “habilidosos”, especialistas em elaborar poemas através de hábeis jogos de palavras, mas aos quais falta a emoção poética. Numa época em que se questiona a validade de referenciais fixos na avaliação e hierarquização da obra de arte, como você vê a necessidade dessa distinção e por que ela é, mais do que nunca, necessária?
Não há poetas “inteligentes” ou “habilidosos”. Se alguém pode ser definido desta maneira, pode ser tudo — menos poeta. Quem é poeta, é poeta — e pronto. Está acima de inteligências e habilidades: no mundo da poesia. Quem não é, e finge ser, fica falando em “poesia de criação” e outras tolices, para esconder sua incapacidade. Se o sujeito precisa definir sua poesia como “de criação” para convencer a alguém, podem apostar que ali não há criação alguma. Uns truquezinhos, talvez, nada mais. O poeta é o fazedor, o criador, como considerado desde a velha Grécia, não um desses que vivem brincando com logogrifos e logomaquias, como dizia, com desprezo, Ernesto Sábato. Quanto à emoção, como é que alguém pode fazer poesia sem emoção poética? Poema é uma coisa, poesia é outra. O poema é uma construção — que pode ou não conter poesia. Se não contém poesia, é só técnica, artesanato. Não é arte. Assim, tem muita gente compondo poemas com mero conhecimento técnico, como os ditos construtivistas, e achando que, dessa maneira, está fazendo poesia. Como a crítica geralmente é péssima leitora de poesia, vai na conversa malandra. E como a maioria das pessoas acredita que a crítica tem realmente autoridade, a fraude acaba obtendo consideração. E por que a crítica se engana? Porque costuma ser apenas racionalista — o que é insuficiente para a compreensão (melhor dizendo: fruição) da poesia. E o mal acaba se espalhando, sobretudo nas universidades. Quanto ao final da pergunta, o horror é que se conseguiu vender a idéia de que tudo é arte — se alguém considera que seja arte. Os idiotas vivem encantados com o urinol de Duchamp. Qualquer capadócio que faça um traço numa tela pode ser considerado um Van Gogh. As tais “instalações” não são mais do que falta do que fazer e de vergonha. A imprensa tem grande responsabilidade nesse aviltamento generalizado, pois continua sempre em busca do sensacionalismo. Mas a responsabilidade maior mesmo é do intelectual, do artista verdadeiro e do mundo acadêmico, que toleram essas patifarias. Qualquer imbecil hoje, com uma lata de spray na mão, acha que tem o direito de fazer “intervenções estéticas” e, se questionado, exige respeito pelo seu hediondo “talento”…

Você concorda com a idéia corrente de que vivemos uma época de refluxo na literatura, desde a morte de considerados “grandes”, como João Cabral (na poesia) e Clarice Lispector (na prosa)?
Não creio nesse “refluxo da literatura”. Pelo contrário: nunca se publicou tanto como hoje. E também não se pode julgar a literatura brasileira por Cabral e Clarice. Eles foram e são importantes, mas existiram — e existem — outros. Cada autor dá a sua colaboração, apenas. Alguém pode afirmar (e muita gente afirma) que Cabral foi melhor poeta do que Vinícius. Mas eu pergunto: melhor em quê? Seria Cabral capaz de escrever os sonetos de Vinícius — e seus poemas em versos livres? Claro que não. Como não saberia escrever os sonetos e as canções de Mario Quintana. Aí certamente argumentarão com a crítica da “objetividade”, exaltando a técnica cabralina… Mas quem disse que a técnica cabralina é superior à dos outros citados? Quem prova isso? E acho melhor não tentarem tirar essa prova, se não querem ter grandes surpresas…

Quais são as obras fundamentais na formação do escritor Ruy Espinheira Filho?
Leio tudo, de tudo e sobre tudo — e creio que essas leituras formam uma atmosfera que condiciona o meu trabalho. No caso da poesia, meus grandes mestres são Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Drummond, para ficarmos só nos brasileiros. Mas, como já disse, tudo que li tem influência. Admiro também alguns críticos, nacionais e estrangeiros, mas prefiro ler a crítica dos próprios artistas, que são capazes de criticar por dentro. Críticos mais lúcidos, como Antonio Candido e Otto Maria Carpeaux, reconhecem isto.

Sua obra tem sido tema de diversas dissertações e teses acadêmicas. A que você atribui o interesse crescente por ela? Esses trabalhos já proporcionaram, de alguma forma, um novo olhar sobre sua própria produção poética?
Fico contente por ver que os jovens lêem a minha poesia e se dispõem a escrever sobre ela. Isto também é devido ao interesse de alguns professores, que não se querem limitar à comodidade do cânone instituído na academia. Tudo começou quando o poeta Iacyr Anderson Freitas escreveu sua dissertação de mestrado, na Universidade Federal de Juiz de Fora, sobre os aspectos mnemônicos do meu trabalho: As perdas luminosas: uma análise da poesia de Ruy Espinheira Filho. Já publicada em livro (Salvador: Casa de Palavras/Edufba, 2001), esta dissertação foi seguida por O inquilino do incêndio — poesia e experiência urbana em Ruy Espinheira Filho, de Valéria Lessa Mota (Universidade Estadual de Feira de Santana); O que ler no poema: crítica e criação literária em Ruy Espinheira Filho (Universidade Federal da Bahia), de Alex Simões; e há pelo menos duas em andamento — uma na Universidade Estadual de Feira de Santana, a ser defendida em outubro, do Adriano Eysen (também da UEFS); e na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ainda no início, a do mestrando Luciano Lanzirotti. E há mais alguns trabalhos universitários em elaboração. Isto significa que o que escrevi continua vivo para pessoas que nasceram bem depois de mim. Creio que a razão desta permanência é eu escrever tendo como tema, sempre, a condição humana. E fazer isso com lirismo — porque sem lirismo não há arte, não há calor humano, não há vida.

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