Tempestade Criativa

Os leitores de Carlos Ribeiro, os colegas de ofício literário, de jornalismo e de docência universitária, os alunos, os familiares e demais amigos já tomaram contato com algumas de suas várias facetas: contista, romancista, cronista, ensaísta, resenhista, articulista, repórter, entrevistador, editor, professor, mediador de debates, pesquisador, relator de expedições científicas, aventureiro. Ainda assim, não temos dúvidas de que, se não vai provocar um tsunami em sua carreira de escritor, este livro Fazedores de tempestade irá surpreender a quase todos os seus tantos admiradores.

A essa altura, conhecemos muito de sua literatura, pois já vai longe o tempo da estreia de Carlos Ribeiro no universo ficcional. Tomando de empréstimo alguns de seus títulos, digamos que esse autor, em seu labirinto de ideias e emoções, costuma ouvir o chamado da noite e, como um visitante noturno, avança pelos abismos da criação literária, iluminado pela escuridão de sombras, convicto tão somente de suas dúvidas, acompanhado de sua própria solidão, na realidade onírica de suas cidades povoadas de reminiscências, sonhos e fantasmas do cotidiano.

A feitura de tempestades anunciada neste título – e que logo vem – vale-se de todas essas características. Não sem vir acrescida de novas. De elementos não tão evidentes nos livros anteriores, ambientes não tão visitados pelos leitores. A cada página deste volume, deparamo-nos com um texto curto, geralmente curtíssimo, uma diminuta história, uma pequenina impressão, uma lembrança fugaz, uma emoção apreendida, uma reflexão registrada, um instantâneo – e uma revelação: a alma lírica, poética, livre, indomada, transparente e intransponível de Carlos Ribeiro.

Textos assim são chamados hoje de minicontos. Há quem prefira intitulá-los de poemas em prosa. Tanto faz. O aparente sem compromisso de textos dessa dimensão e dessa natureza impregnou no autor um compromisso de fidelidade e de rigor para com a literatura: ele se concedeu abrir seu leque temático, explorar seu território linguístico, traçar mais caminhos e sítios em seu mapa estilístico, expandir o universo de sua técnica e de sua criatividade, decisões (ou impulsos) que lhe permitiram revelar-nos um escri

As possibilidades de leitura dessas historietas, paisagens, digressões, assertivas, interrogações, exclamações, frases soltas, múltiplas que são, renovam-se a cada visita. Da narrativa tradicional a diversas experiências formais, desde imprevistas escolhas de pontuação até a verossimilhança nonsense dos roteiros de cinema de animação, nós passeamos pelo real palpável, por impressões subjetivas, pelo maravilhoso e pelo alegórico. Este livro proporciona ao leitor o que ele quer: emoção e prazer. Se Carlos Ribeiro traz tempestades, sua literatura navega segura em céu claro.

Luís Antonio Cajazeira Ramos

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