Autor Lança Textos Literários Nascidos em Redação de Jornal

Academia de Letras da Bahia apresenta em evento que será realizado hoje, a obra Contos de sexta-feira e duas ou três crônicas, do jornalista e escritor Carlos Ribeiro

Luciano Aguiar


Jornalismo e literatura se encontram na linha tênue entre realidade e ficção. Foi nesse instante criativo que trabalhou o escritor, jornalista e professor Carlos Ribeiro ao escrever as histórias que compõem Contos de sexta-feira e duas ou três crônicas, que será lançado hoje, às 17 horas, na Academia de Letras da Bahia – ALB, em Nazaré.

Além de Ribeiro, participa do encontro promovido pela ALB o contista brasiliense radicado em Salvador Lima Trindade. Na ocasião, serão lidos trabalhos dos dois escritores, com comentários críticos do professor de literatura Luciano Rodrigues Lima e da jornalista Suzana Varjão.

Suzana é uma das responsáveis pela existência de Contos de sexta-feira. Ela quem teve a idéia de, em 2000, quando editora do Caderno 2 de A TARDE, abrir um espaço para publicação de textos literários no Caderno de Fim de Semana, às sextas-feiras. Ribeiro trabalhava no jornal e fazia parte do grupo de autores que se revezavam na coluna, ao lado de Kátia Borges, Luís Lasserre, Lago Júnior, Hélio Pólvora, Aramis Ribeiro Costa e Antônio Júnior.

Vinte e seis contos do volume foram resgatados desse trabalho. Outros cinco foram acrescentados. Um deles, A cidade revisitada, saiu no suplemento A TARDE Cultural. O livro ainda traz 11 crônicas, publicadas em A TARDE e outros periódicos.

Ar intrigante

Contos de sexta-feira é obra prazerosa, fruto de um escritor que sabe trabalhar de forma texualmente fluida a fartura que lhe oferece a própria imaginação. Um ar intrigante quer prender o leitor da primeira à última linha em contos como Mão-inglesa ou A prova final.

Apesar de ter sido escrito a retalho, o conjunto de textos do livro encontra uma forte unidade. Para começar, o autor adotou, na época, a idéia de que todas as histórias se passavam em Salvador numa sexta-feira, dia em que eram publicadas.
O fato de a maioria dos contos terem nascido dentro da redação fez com que o cotidiano da cidade naturalmente invadisse a imaginação de Ribeiro. “Em alguns contos, aproveitei questões factuais, como Natal de Felicidade, que foi sobre uma invasão derrubada pela polícia. Eu fui lá e testemunhei”, revela.

“A iniciativa de Suzana Varjão foi de grande importância, ao inserir no coração da indústria jornalística um espaço para o imaginário. Isso aprofunda a percepção do tempo em que a gente vive, que não é alcançado apenas pela linguagem objetiva da reportagem”, diz o escritor.

Outro elo da obra é a linha da memória embutida no estilo literário de Ribeiro. Exemplo disso é o conto O Grande Irmão. Percorre cerca de quatro décadas da vida do personagem, que tem características biográficas.

As histórias do livro remetem com frequência à Salvador dos anos 60 e 70, principalmente ao bairro de Itapuã, onde Ribeiro viveu parte de sua vida. Também está marcada na obra dele uma linha de conto fantástico, como se percebe na grande história de abertura, O Visitante Invisível.

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