Meio ambiente: uma questão de sobrevivência

por Carlos Ribeiro*

A militância ambiental, no Brasil, é ainda recente. Na Bahia, data do início dos anos 80, a partir de mobilizações em torno da preservação da lagoa e dunas do Abaeté e da orla marítima de Salvador, ampliando-se pouco a pouco para os diversos ecossistemas do Estado: restingas, manguezais, cerrados, campos rupestres, mata atlântica e, sobretudo, áreas costeiras, impactadas fortemente pela especulação imobiliária. Centrava-se na denúncia dos crimes ambientais, razão pela qual as redações dos jornais e TVs passavam a ser assediadas na luta, quase sempre inglória, contra o poder econômico e o lucro a qualquer preço.

Desde então, ao longo desses últimos 30 anos, a questão ambiental vem ocupando cada dia mais espaços na mídia. A divulgação do patrimônio natural brasileiro e os estudos dos complexos mecanismos de sobrevivência da fauna e flora, abriram espaço para o jornalismo científico, de grande importância para a consolidação da cidadania.

Ao lado da denúncia de crimes ambientais, consolidou-se outra vertente, não menos importante. do jornalismo ambiental: a que mostra a beleza e a riqueza imensa da nossa biodiversidade. Nos anos 90, consolidou-se o conceito de desenvolvimento sustentável. A percepção da ecologia passou a abranger praticamente todas as dimensões das relações humanas: sociais, econômicas, culturais, espirituais, exigindo um redimensionamento dos paradigmas da nossa civilização. E, especialmente, dos nossos valores, comportamentos, hábitos e padrões de consumo.

A necessidade de alternativas sustentáveis torna-se prioritária numa civilização voltada para a cultura do consumo e do descarte. A ecologia urbana ganha destaque, neste contexto, exigindo soluções para problemas complexos como a despoluição dos rios, a regulação dos microclimas locais, a drenagem de águas pluviais e o grande desafio ecológico do nosso tempo: a eliminação, reaproveitamento e reciclagem do lixo urbano, com providências voltadas para o reaproveitamento da matéria orgânica na produção de energia (biogás), no reaproveitamento de plásticos, na reciclagem de resíduos sólidos e do lixo tecnológico.

Num mundo que produz anualmente 40 milhões de toneladas de lixo, e num país que acumula 2 milhões de toneladas de plástico pós-consumo e abandona 96,8 mil toneladas de computadores por ano, a ecologia passa a ser um problema sério demais para ser da alçada exclusiva de militantes. Daí a importância da participação de todos nós, sobretudo jornalistas e formadores de opinião. Uma questão de sobrevivência. * Professor do curso de Jornalismo da UFRB. Atuou durante 15 anos na área do jornalismo ambiental e da divulgação científica. Participou de expedições à Antártida, Amazônia e diversas reservas ecológicas brasileiras.

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