Iararana – Revista de Arte Crítica e Literatura

Em seu número de estréia, em outubro de 1998, a Iararana – Revista de arte, crítica e literatura trouxe uma mostra da produção intelectual de cinco gerações de autores, baianos, brasileiros e estrangeiros, entre ficcionistas, poetas e ensaístas.

Embora tenha sido criada como uma revista de autores baianos da geração 80, a publicação, que chega neste ano à sua décima-terceira edição, mostrou, desde logo, a sua verdadeira vocação: a de ser um espaço aberto a diversas tendências literárias do mundo contemporâneo.

Uma revista cuja linha editorial se pauta por critérios rigorosos, do ponto de vista estético, mas sem qualquer restrição a escolas e grupos, portanto avessa às panelinhas. A multiplicidade e a síntese, como formas de processamento dos diversos valores culturais e das linguagens estéticas, caracterizam o objetivo fundamental desta revista.

O espírito que a norteia é, portanto, de inclusão, e nisto temos conseguido sucesso considerável. Sucesso que se traduz em prestígio, aceitação e, sobretudo, no registro e na representação, mais ampla possível, de um determinado período da nossa história literária, em que o embate entre gerações parece ter-se tornado anacrônico.

Pode-se definir, portanto, Iararana como uma publicação da geração 80 na Bahia, num sentido meramente circunstancial, na medida apenas em que seus fundadores, Carlos Ribeiro e Aleilton Fonseca, situam-se, de forma um tanto imprecisa, naquela geração. Mas o que caracteriza a revista, e que nos dá uma grande satisfação fazê-la, é a flexibilidade que nos permite saudar, tanto os “mestres do passado” – sem qualquer conotação mariodeandradiana da expressão –, a exemplo do grande poeta Sosígenes Costa, de cuja obra tomamos emprestado o nome da publicação, quanto os novíssimos, que muitas vezes encontram nas páginas da Iararana a satisfação de ver seu primeiro conto, poema ou ensaio publicados.

Esta flexibilidade e este critério de inclusão são responsáveis também por estendermos o raio de alcance da revista, de forma ampla, não somente do ponto de vista cronológico, como também geográfico. Em suas páginas circulam, desde o primeiro número, autores de diversos estados brasileiros, e do exterior. Vale ressaltar o grande interesse pela revista além das nossas fronteiras. Vários exemplares já foram parar em países como Portugal, Espanha, França, Itália, Hungria, Estados Unidos e Argentina, endereçados a escritores, estudiosos e instituições culturais. Interesse que vem aumentando a cada edição.

A diversidade se dá ainda na inclusão de temas e abordagens. A solidão urbana, a violência, a desumanização nas grandes metrópoles, mas também a temática rural (tão escassa hoje na nossa ficção), o real e o supra-real, o lirismo… Enfim, todas as temáticas e enfoques possíveis nesses tempos em que as referências se mostram voláteis e indefinidas.

Um tempo em que, apesar de todos os apelos do Todo Poderoso Mercado, torna-se necessário renovar, reinventar e redimensionar os valores e tradições do passado, ao mesmo tempo em que se impõe, como destacamos em um de nossos editoriais, a necessidade de uma reflexão sobre a permanência da arte na era da globalização – mundo da indústria e do comércio e da eficiência tecnocrática a qualquer preço que parecem tornar obsoletos os parâmetros humanistas que tempos atrás alimentavam as diversas utopias, a energia das revoluções, as vozes críticas e a poesia.

Fiéis, portanto, a essa necessidade de revalorização do nosso patrimônio cultural e espiritual, é que prestamos, com o nome desta revista, homenagem ao poeta grapiúna Sosígenes Costa (1901-1968), considerado por um número crescente de escritores e estudiosos um dos maiores poetas baianos e brasileiros, autor do longo poemaIararana (escrito em 1934 e somente publicado, postumamente, em 1979). O poema, como assinalamos no primeiro número da revista, é uma epopéia baiana, que representa uma visão mitopoética do processo civilizatório brasileiro, a partir da chegada dos portugueses e do seu contato com os índios, no sul da Bahia. Trata-se de um poema primitivista, de feição modernista, que constitui um marco da nossa literatura no século XX.

Dar à revista o nome do poema de Sosígenes é uma forma de reconhecer o valor de sua poesia e defender sua importância histórica e estética. Intenção de intervir no cânone literário, provocando a atenção e o interesse de leitores e estudiosos para uma obra poética tão preciosa quanto relativamente esquecida. Obra multifacetada, rica em aspectos, temas, formas, cores e linguagem.

O surgimento de Iararana coincidiu com a retomada e crescimento das revistas literárias no Brasil. Tal fenômeno, marcado pela multiplicidade e pela diversidade de títulos, ficou evidente no ciclo “Poesia em revista: periódicos literários e seus poetas”, realizado em outubro de 2000 na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Organizado pelo poeta Cláudio Willer, o projeto reuniu, em duas sessões semanais, editores e poetas que discutiram seus projetos, leram e comentaram seus poemas.

Iararana representou a Bahia, caracterizando-se, dentre as diversas publicações nacionais, como uma revista de autor, livre de vínculos com o mercado e com instituições culturais de qualquer natureza. Publicação, portanto, mais aberta a novos autores que teriam poucas chances de publicar em revistas oficiais ou canônicas.

A propósito, vale abrir aqui um parêntesis para destacar o fato de que as revistas de autor, geracionais ou não, têm o mérito de fortalecer a vida literária como verdadeiros laboratórios de criação, em que se formam círculos de leitores da mesma faixa etária, criam-se vínculos de amizade, fixam-se pontos de referência entre os jovens escritores e, por extensão, uma rede de reconhecimento e de encorajamento de ações.

Naquele evento, marcaram presença revistas literárias de diversas linhas de atuação, a exemplo da Cult (SP), Nossa América (SP – Memorial da América Latina), Cigarra e Monturo (Santo André – SP), Poesia Sempre (Fundação Biblioteca Nacional), Jornal de Letras (Academia Brasileira de Letras), Revista de Poesia (Clube de Poesia – SP), Dimensão (Uberaba – MG), Suplemento Literário de O Estado de Minas, Babel (Santos – SP), Iararana (BA), Medusa (Curitiba), Azougue (SP) e Inimigo Rumor (RJ), algumas delas já desaparecidas.

Quero falar, agora, um pouco sobre a revista, do ponto de vista da sua estrutura e organização.

Iararana conta, até o momento, com dez números editados e mais três garantidos pelo nosso atual patrocinador, a Petrobras, através do Fazcultura. Foram lançados nas seguintes datas: outubro de 1998; agosto de 1999; maio de 2000; outubro de 2000; março, julho e novembro de 2001 (Esta última uma edição especial do centenário de Sosígenes Costa, toda dedicada à obra do poeta grapiúna); março de 2002 (Edição especial: dossiê comum com a revista francesa Latitudes: Cahiers Lusophones); agosto de 2004, e dezembro de 2004

Nesse período obtivemos o patrocínio das seguintes instituições: Fundação Cultural do Estado da Bahia; Copene Petroquímica do Brasil (atual Brasken), para quatro números, dois deles com apoio do Fazcultura; Universidade Estadual de Feira de Santana e Fundação Casa de Jorge Amado, e Petrobras, atual patrocinador. Com elegante e sóbria programação visual do jornalista Ney Sá, ela já teve como co-editores, ao lado de Aleilton Fonseca e Carlos Ribeiro: Elieser César, do 1º ao 4º número; José Inácio Vieira de Melo, a partir do 8º número, contando ainda com a valiosa colaboração do poeta Luís Antonio Cajazeira Ramos, na edição de n° 4. O Conselho Editorial da revista conta hoje com os seguintes nomes: Aleilton Fonseca, André Seffrin, Carlos Ribeiro, Elieser Cesar, Gerana Damulakis, José Inácio Vieira de Melo, Luís Antonio Cajazeira Ramos, Luiz Ruffato, Nelson de Oliveira e Rosana Ribeiro Patrício. Do exterior, representando seus respectivos países, temos os nomes de Antonella Rita Roscilli Vera Lúcia de Oliveira (Itália), Cunha de Leiradella (Portugal), Daniel Leuwers e Dominique Stoenesco (França) e Maria Pugliese (Argentina).

A revista conta com as seguintes seções:
1 – Apresentação, ou editorial, com comentários e observações sobre o posicionamento editorial da revista, destaques da publicação e questões da atualidade.
2 – Entrevistas, com depoimentos dos escritores e estudiosos de literatura. Foram entrevistados, até o momento, Ferreira Gullar, Sonia Coutinho, Assis Brasil, Michel Perez (professor de língua portuguesa e cultura lusófona em Paris), Rejane Cureau (gaúcha, professora de língua portuguesa e inspetora pedagógica regional em França), Dominique Stoenesco (professor de português, divulgador da língua portuguesa e editor da revista bilíngüe francês-português Latitudes Cahiers Lusophones), João Carlos Teixeira Gomes, Hélio Pólvora, Gerana Damulakis, Aleilton Fonseca, Aramis Ribeiro Costa, Ruy Espinheira Filho, Guido Guerra, Anne-Marie Métailié, Antonio Carlos Secchin e Boris Schnaiderman.
3 – Especial, inclui dados biográficos e apreciações críticas sobre escritores e artistas baianos já falecidos, como Sosígenes Costa, Vasconcelos Maia, Alberto Luís Baraúna, Euclides Neto, Elvira Foeppel, Jorge Amado, Afonso Manta, Herberto Sales, Pierre Verger, Ariovaldo Matos e Guido Guerra.
4 – Destaque, enfocando temas e autores em evidência, a exemplo de Allex Leilla, entrevistada por Suênio Campos de Lucena; Mayrant Gallo, por José Inácio Vieira de Melo; Luis Antonio Cajazeira Ramos e Adelice Souza, por Carlos Ribeiro; Antonio Carlos Viana e Renata Belmonte, por Mayrant Gallo.
5 – Poesia, com a publicação de diversos poetas baianos, brasileiros e de outros países, a exemplo de Ruy Espinheira, Myriam Fraga, Elieser Cesar, Ivan Brandi, Marcos A. P. Ribeiro, Florisvaldo Mattos, Luís Antonio Cajazeira Ramos, Washington Queiroz, Gláucia Lemos, Victor Álamo de la Rosa, Antonio Carlos Secchin, Antonio Brasileiro, Maria Lúcia Martins, Soares Feitosa, Roberval Pereyr, Aleilton Fonseca, Walmir Ayala, Luís Ruffato, Abílio Sampaio, Ricardo Vieira Lima, Miguel Sanches Neto, Anne Cerqueira, Maria Pugliese, Fabián San Miguel, Verônica Viola Fischer, Susana Villalba, Fernando Peres, Maria da Conceição Paranhos, Moacir Amâncio, Olga Savari, Kátia Borges, Plínio Aguiar, Fred Souza Castro, Adelmo Oliveira, Claudius Portugal, Narlan Matos, Neide Archanjo, Fernando Fiorese, Eliseu Paranaguá, José Inácio Vieira de Melo, Cleberton Santos, Reynaldo Valinho Alvarez, Floriano Martins, Vladimir Queiroz e Ana Cláudia Oliva.
6 – Prêmio Iararana de Poesia, na categoria Nacional, lançada no número 2 – Prêmio Iararana de Poesia – 1999; e em duas categorias, Nacional e Estadual, a partir do número 4 – Prêmio Iararana de Poesia 2000; prosseguindo no 6 – Prêmio Iararana de Poesia 2001, e 9 – Prêmio Iararana de Poesia 2004. Foram publicados os trabalhos vencedores de poetas como Ana Claudia Oliva – Nacional (BA), Dolores Maggioni – Nacional (RS) e Aroldo Pereira Ramos – Estadual (BA), José Inácio Vieira de Melo – Nacional (BA), Ana Bárbara Borges de Matos Souza (BA) e Helena Ortiz – Nacional (RS), e Gabriel Gomes e Marcus Vinícius Rodrigues – Estadual (BA), citando aqui apenas os primeiros colocados. A comissão julgadora contou com a participação de poetas e críticos literários como Luis Antonio Cajazeira Ramos, Gláucia Lemos, Gerana Damulakis, Ayêska Paulafreitas, Rosana Ribeiro Patrício e Mayrant Gallo. Nas premiações contamos com o valioso apoio da Livraria da Torre e do Shopping Cultural Grandes Autores.
7 – Traduções de poetas e prosadores, como Robert Lowell, por Marcos A. P. Ribeiro; Francis Ponge, por Adalberto Muller Jr. e Carlos Loria; Tomaz Salamun, por Narlan Mattos; Fabián San Miguel, Susana Vilalba e Ximena Ortega, por Douglas Almeida; e. e. cummings, por Carlos Loria; Derek Walcot, por Décio Torres Cruz; Kerry Keys, por Narlan Matos; Juan Carlos Galeano, por Cláudio Willer e Eliakin Rufino; James Thurber, por Marta Rosas; Haroldo Álvaro Tenório, por Floriano Martins; Phillippe Jacotet, por Cláudio Veiga, e Daniel Leuwers, por Maria Conceição Paranhos. Na edição especial sobre Sosígenes Costa foi feita a tradução para o francês do poema “Alecrim da beira dágua não se corta com machado”, por Jacques Salah, e traduzidos para o português, por Celina Scheinowitz, Maria da Conceição Paranhos e Maysa Miranda, os Pavões francófonos dos poetas Maurice Maeterlinck (belga – 1862-1949) e Paul Morin (canadense – 1889-1963), ambos com “afinidades sosigeanas”.
8 – Ficção, com a publicação de contos e crônicas de Hélio Pólvora, Állex Leila, Mayrant Gallo, Aramis Ribeiro Costa, Antonio Brasileiro, Ayêska Paulafreitas, Carlos Ribeiro, Orlando Pereira dos Santos, Maysa Miranda, Elieser César, Simone Guerreiro, Rosana Ribeiro Patrício, Pilar Rivero, ReNato Bittencourt Gomes, Nelson de Oliveira, Sonia Coutinho, Cunha de Leiradella, Alejandro Reyes, Marcondes Araújo, Ronaldo Cagiano, Sonia Van Dijck, Whisner Fraga, Ricardo Lísias, Lázaro Torres, Carlos Sampaio, Ronaldo Correia de Brito, Rinaldo de Fernandes, Mayrant Gallo, Luís Henrique, Kátia Borges, Marcus Vinícius Rodrigues, Carlos Newton Júnior, Dalila Machado, Lima Trindade e Junqueira Ayres.
9 – Leituras, com os seguintes artigos e ensaios: A Geração 80 na Bahia (Poetas da Coleção dos Novos), por Aleilton Fonseca; Almas Siamesas – sobre Jacinta Passos e Manoel Caetano Filho, por Dalila Machado; A conquista do silêncio, por Paulo Cezar Lisboa Cerqueira; Caminhando até o infinito, por Alberto Herrera; Da sedução como jogo de linguagem, por Dante Galeffi; O popular e o erudito na contemporaneidade, por Luciano Rodrigues Lima; Sonia Coutinho e os labirintos da mulher, por Rosana Ribeiro Patrício; Brasil e Portugal: interstícios das “Comemorações”, por Sandro Ornelas; A sobreposição de pólos em As naus, de Lobo Antunes, por Nelson de Oliveira; Panorama da poesia na Bahia no século XX, por Simone Lopes Pontes Tavares; Rubem Braga: um exilado na cidade moderna, por Carlos Ribeiro; Crônica e poesia: a tênue fronteira, por Gerana Damulakis; A crônica de Luís Henrique, por Aramis Ribeiro Costa; A última aventura de Richard Burton: história de um conto, por Luciano Lima; Ovídio Martins: Poeta e militante cabo-verdeano, por Dominique Stoenesco; O centenário do castelão de mitos, por Gerana Damulakis; A balada litorânea de Sosígenes Costa, por Maria de Fátima Berenice da Cruz; Poética e linguagem em Iararana, por Celina Scheinowitz; A reinvenção antropofágica do discurso histórico em Iararana, de Sosígenes Costa, por Marcos Aurélio Souza; Sertania (en)cantada, Elomar, por Cláudio Novaes; Guimarães Rosa: canto e plumagem das palavras, por Valdomiro Santana; Veredas irlandesas, sertões joyceanos, por Décio Torres Cruz; A poeticidade de Aflitos, por Maria de Fátima berenice da Cruz; Força épica e vasto lirismo – a poesia de Florisvaldo Mattos, por Luís Antonio Cajazeira Ramos; Estórias contadas, crônicas de Cabo Verde e de outros lugares, de Germano Almeida, por Dominique Stoenesco; Minha terra e outros poemas, por Celina Scheinowitz; O espírito revel de Pinheiro Viegas, por Gilfrancisco; Adelmo Oliveira, poeta da sábia e profética inocência, por Maria da Conceição Paranhos; Memórias do espantalho: síntese poética de Francisco Carvalho, por Hildeberto Barbosa Filho; Euclides Neto e a decadência do ciclo do cacau, por Cid Seixas; Movimento do olhar em Eu, Tu, Eles e saudades do futuro, de Cláudio C. Novaes; Prosimetria ou Maqama em O palácio da fronteira de Moacir Amâncio, por Luciana Gama; Vasconcelos Maia – Contos marítimos: o exemplo de Cação da areia, por Carlos Ribeiro; Retrato poético de uma era de incertezas, por Luciano Rodrigues Lima; O perfume de Roberta – Uma contística anfíbia: entre o social e o estético, por Sônia L. Ramalho de Farias; Memória e subjetividade cultural em Que país é este?, por Priscylla Alves Campos.
10 – Depoimento: Antonio Torres (Processo criativo), Ildásio Tavares (A criação da ópera Lídia de Oxum), Adinoel Motta Maia (O concurso que lançou uma geração de ficcionistas), Gláucia Lemos (Um cão vestido de azul), Elieser Cesar (Em cena, a geração 80 na Bahia), James Amado (Breve e bem humorada crônica sobre deuses e sonhos), Goulart Gomes (Poetrix: uma proposta para o novo milênio) e Nelson de Oliveira (Geração Zero Zero).
11 – Reportagem: Grandes Autores para muitos leitores, por Carlos Ribeiro, e As quintas do saber, por Elieser Cesar; Primavera de música e poesia – Projeto Música Erudita e Poesia Nossa de Todo o Dia, por Elieser Cesar; Editoração na Bahia: conquistas e limitações, por Carlos Ribeiro; Revistas literárias: novas publicações, nova poesia?, por Carlos Ribeiro; Teatro: um talento baiano na cena nacional; Palavra de Escritor, Troféu Castro Alves – a poesia falada, por Carlos Ribeiro; Saveiro Literário, por Gabriel Gomes; Um poeta revisitado: do olvido às celebrações, por Carlos Ribeiro; Poesia na Tela: buscando uma nova linguagem (Projeto Mídia Poesia), por Maísa Nacimento.
12 – Resenhas de autores baianos e de outros estados, feitas por Aramis Ribeiro, Gláucia Lemos, Elieser Cesar, Gerana Damulakis, Aleilton Fonseca, Mário Alex Rosa, Fabrício Casrpinejar, André Seffrin, Gerana Damulakis, José Castello, Maria Lúcia Martins, Walmir Ayala, Ricardo Vieira Lima, Hélio Pólvora, Carlos Ribeiro, Nonato Gurgel, Rita Olivieri-Godet, Luciano Rodrigues Lima, Miguel Carneiro, Dominique Stoenesco, Benedito Veiga, Nelson de Oliveira, Cláudio Mutilo Leal, Reynaldo Valinho Alvarez, José Nêumanne, Sônia van Dijck, Antonio Torreão Herrera, Francisco Ferreira de Lima, Adriano Eysen, Lima Trindade, Lílian Almeida, Márcio Ricardo Coelho Muniz, Eliana Yunes e Henrique Marques Samyn..
13 – Registro: Editores editados – lançamento dos livros Caçador de ventos e melancolias, de Carlos Ribeiro e O desterro dos mortos, de Aleilton Fonseca; Sosígenes na revista Meridiano, por Gilfrancisco, e Como descobri Sosígenes, por Waldir Freitas Oliveira; A musa grapíúna em espelho próprio, por James Amado; Sobre Travessia de Oásis – A sensualidade na poesia de Sosígenes Costa, por Florisvaldo Mattos; Latitudes: Cahiers Lusophones nº 26.
14 – Estante: registro e informações sobre livros publicados.
15 – Ilustrações: artistas plásticos que ilustram as capas e separatrizes da revista: Álvaro Machado, Silvio Jessé e Romeu Ferreira (nº 1); Sérgio Ramos (nº 2); Demarreis (capa), Antonio Brasileiro, Chico Liberato, Jorge Galeano e Nanja (nº 3). Neste terceiro número foi inaugurada a página Arte & Tal, com dados biográficos e foto dos autores das ilustrações de capa: Demarreis, Vauluizo Bezerra, Leonardo Celuque, Neide Cortizo, Juraci Dórea, Chico Liberato, Antonio Brasileiro, Bel Borba, Jean-Pierre Lacourt, Sonia Prieto, Edson Calmon, André Barbosa e Fernando Oberlaender.

Dentre os momentos marcantes da revista, ressaltamos a publicação de um painel de textos (poesia, contos e artigos) que tratam de forma crítica o tema dos 500 anos do Brasil (edição nº 3, maio de 2000); a Edição Especial Centenário de Sosígenes Costa (n° 7, novembro de 2001), e a Edição especial: dossiê comum com a revista Latitudes: Cahiers Lusophones (n° 8, março de 2002). O dossiê em francês conta com ensaios, poemas e contos de autores franceses e brasileiros, a exemplo de Antonio Brasileiro, Dominique Stoenesco, Celina Scheinowitz, Luis Antonio Cajazeira Ramos, Michel Riaudel, Nuno Júdice e Daniel Leuwers.

Alguns dos textos críticos que compõem o dossiê foram apresentados no colóquio “A crise da poesia”, realizado em 2002, na Université d´Artois, em Arras, norte da França, em parceria com a UEFS-BA. AIararana e Latitudes foram lançadas conjuntamente em Paris, no dia 30 de setembro de 2003, na Sala Villa-Lobos do Centro Cultural Jorge Amado, na Embaixada Brasileira, num encontro que reuniu escritores, críticos, pesquisadores e artistas, em sua maioria portugueses e brasileiros radicados na França.

Fruto do intercâmbio mantido pelas duas revistas, iniciado no ano 2000,Iararana nº 8 foi enviada para universidades e departamentos de língua portuguesa na França, bem como para entidades culturais e pessoas interessadas nas culturas lusófonas.

Em seguida foi a vez de Latitudes e Iararana chegarem à Hungria, através do convite da Universidade ELTE de Budapeste. As revistas foram lançadas no dia 3 de outubro de 2003, na sala de conferências do Departamento de Português, num evento organizado pelos professores Pál Ferenc e Jeno Farkas, tradutores e editores húngaros. Aleilton Fonseca fez palestra sobre a literatura baiana atual, e entregou à biblioteca da ELTE um acervo de livros baianos.

O intercâmbio prossegue, no número 11 da Iararana, através de uma parceria com a revista francesa Autre Sud, editada na cidade de Marselhe. A parceria consta da publicação de um dossiê conjunto, com doze poetas baianos e doze poetas franceses contemporâneos. Assim, em edição bilíngüe, a Iararana traz seus textos em francês e português. A revista circula nos meios literários e acadêmicos franceses, sobretudo em Paris, Tours, Marselhe, Nanterre, Strasbourgo, Rennes e Arras. Dentre os destaques da edição estão: uma entrevista com Ane-Marie Metailé, proprietária da editora francesa Edições Metalié, que se destaca na França por editar diversos autores de língua portuguesa; um dossiê franco-baiano de poesia contemporânea; uma seção especial sobre o fotógrafo Pierre Verger; textos de ficção, poemas, resenhas e ensaios sobre aspectos da cultura brasileira na França. As ilustrações serão feitas pela artista plástica brasileira radicada na França, Sonia Prieto, e pelo artista plástico francês Jean-Pierre Lacourt, que assina a ilustração da capa e de algumas sepratrizes.

No final de 2006, houve a publicação da Iararana nº 12, dedicada a autores brasileiros, e, em abril deste ano é lançada a nº 13, que traz um dossiê bilíngüe Português/ Italiano, com poesia, ficção e artigos de autores italianos e brasileiros. Destaca-se nesta edição uma longa entrevista com o tradutor e estudioso da literatura russa Boris Schnaiderman sobre a literatura russa após a Glasnost, tema também do seu livro, recém lançado pela editora Companhia das Letras, Os escombros e o mito: a cultura e o fim da União Soviética, além da seção especial com um estudo do crítico Cid Seixas e um depoimento de Isadora Guerra sobre o saudoso escritor, jornalista e acadêmico baiano Guido Guerra, falecido recentemente.

Assim, a Iararana – revista de Arte, Crítica e Literatura amplia sua proposta inicial, levando os nomes e as obras de autores baianos e nacionais para além das nossas fronteiras, reforçando e ampliando o interesse de escritores e estudiosos de outros países pela nossa literatura, num momento em que, a despeito de todas as crises de leitura e de mercado, vem mostrando uma grande vitalidade.

Destacamos, finalmente, o apoio que esta Academia de Letras da Bahia – através do seu presidente, professor Cláudio Veiga, dos funcionários da instituição e de seus acadêmicos – sempre deu à revista, cedendo, diversas vezes, o espaço nobre deste Palácio Góes Calmon para alguns lançamentos, todos sempre concorridos e prestigiados.

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