Expressão Viva

Homenagem ao Mestre
Carlos Ribeiro

Pouco antes de sua morte, Calasans Neto estava envolvido num projeto que lhe era caro: a exposição de 22 matrizes de suas xilogravuras, organizada pelo marchand Marcos Couri. Prevista para ser inaugurada na primeira quinzena de maio, a exposição teve sua abertura adiada, com agravamento da doença do artista, mas se concretiza na próxima sexta-feira, 2 de junho, na MCR Galeria de Arte, em Ondina, onde permanecerá até 30 de junho.

Auta Rosa, que viveu com Calasans maior parte dos 73 anos de vida dele, destaca a iniciativa de Couri: “Ele deu última grande alegria da vida de Calá, por tê-lo obrigado, no bom sentido, a fazer uma coisa que adorava, e que há muito tempo não fazia. Calá estava animadíssimo com essa exposição, mas morreu repentinamente”.

Para Marcos Couri, o internamento de Calasans não implicava, inicialmente, o cancelamento da mostra. “Ele teve alguns problemas de saúde de dezembro para cá, mas aparentemente estava bem. Estava tudo certo para a exposição que já vinha sendo preparada há mais de um ano“.

TEMAS RECORRENTES – As vinte e duas matrizes que integram a exposição trazem os temas que marcaram a obra de Calasans: cabras, baleias, cajus, mulheres e seres fantásticos e mitológicos; os saveiros, sereias e sóis vermelhos e amarelos. “São temas recorrentes na obra dele. Será uma exposição com matrizes de xilogravuras, mas que são, na verdade, peças únicas, gravuras em madeira“, avisa Couri.

Sobre essas peças, diz Calasans no texto “Matrizes“, incluído no catálogo: “Ao visitar meu ateliê na década de 60, o crítico de arte Clarival do Prado Valadares sugeriu, ao ver várias matrizes espalhadas, que elas tinham aos seus olhos mais grandeza do que a gravura estampa. Da sugestão à ação foi somente um pulo, e pude ver que a folha de madeira ganhava uma autonomia de uma beleza plástica grandiosa e cheia de luz, só não tinha o dinamismo que a impressa fornece, quando o múltiplo pode dar o conforto de atingir várias mostras ao mesmo tempo. Quando me propus colocar em definitivo como forma de expressão, meu objetivo ganhou, devido à minha obstinação, o seu lugar nas artes plásticas baianas“.

Das matrizes adquiridas por Couri diretamente com Calasans, são todas recentes.

Apenas quatro, dentre as adquiridas nas mãos de colecionadores, são das décadas de 60 e 70. “Todas têm o mesmo tipo de abordagem, só que, evidentemente, as antigas têm um detalhamento melhor.

A diferença é que, na década de 70, Calasans era 30 anos mais novo”, diz o marchand.

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