Em 1980, Geraldo Machado, então Diretor da Fundação
Cultural do Estado, propôs-me desenvolver alguns projetos
na área de literatura com vistas à criação
de um departamento específico que atendesse ao campo das
letras, à época ainda sem representação
no organograma da entidade.
Passei então a atuar junto ao Serviço de Difusão
Cultural da FCEBA, chefiado por Zilah Azevedo, responsável
pelo programa editorial da Fundação, com um bom número
de livros publicados, segundo as várias linhas editoriais
já existentes.
Enquanto aguardava o momento oportuno de concretizar o projeto
mais ambicioso de criar um centro de literatura, apresentei uma
proposta de trabalho voltada para autores inéditos ou em
fase de formação. Assim foram realizados os Encontros
de Literatura Emergente I e II e criada a Coleção
dos Novos para autores estreantes, iniciativas que alcançariam
grande repercussão de que podem dar testemunho informações
e notícias veiculadas à época nos principais
meios de comunicação.
Se os Encontros de Literatura Emergente, feitos em parceria com
o Instituto de Letras da UFBA, sacudiram, literalmente, as paredes
do antigo prédio de Nazaré, onde foram realizados,
a Coleção dos Novos foi motivo de grande alvoroço
entre os jovens candidatos a escritor.
A esse tempo também trabalhavam, no Serviço de Difusão
Cultural, os escritores Guido Guerra e Claudius Portugal, aos quais
juntaram-se Florisvaldo Mattos, José Carlos Capinan e Ruy
Espinheira Filho para formar a Comissão Editorial. Humberto
Vellame, artista gráfico, ficou encarregado da programação
visual.
A Comissão reunia-se, toda sexta-feira, para apreciar os
trabalhos à medida que fossem apresentados e ler dezenas
de originais, com pareceres escritos sobre os mesmos.
Assim, foram publicados 14 livros, de prosa e poesia, alternadamente,
com lançamento festivo e regularidade de um volume por mês
até que, em 1983, com a mudança de diretoria na Fundação
Cultural, o projeto foi extinto, sob acaloradas discussões
e indignados protestos.
Hoje, quinze anos depois, ao ser informada por Carlos Ribeiro,
de que havia o desejo de reunir-se o grupo dos Novos para publicar
uma coletânea com seus trabalhos recentes, senti uma grande
alegria e, ao mesmo tempo, uma imensa saudade dos tempos em que,
reunidos no prédio da Biblioteca Central dos Barris, onde
funcionava a Fundação, compartilhávamos com
alguns jovens autores da aventura maravilhosa da criação.
A Coleção dos Novos publicou 14 autores: Orlando
Pereira dos Santos, Aleilton Fonseca, Carlos Ribeiro, Mirella Márcia,
Dalila Machado, Roberval Pereyr, Iracema Villalba, Iderval Miranda,
Lázaro Torres, Washington Queiroz, Sebastião Valença
Filho, Marcos Ribeiro, Chico Muniz e Diógenes Moura, que
hoje, tanto tempo decorrido, demonstram que, com a maturidade adquirida
nesses anos, continuam apostando na literatura com o mesmo entusiasmo
e a mesma dedicação.
A Coleção dos Novos foi um projeto inovador em seus
métodos e propósitos. Não era tão somente
um concurso literário mas um processo de avaliação
e aprendizado, uma grande oficina onde todos aprendiam que fazer
um livro não se esgotava no ponto final do texto, mas se
estendia no acompanhamento de todas as etapas, desde a preparação
dos originais, formatação, diagramação,
revisão e, finalmente, impressão. As capas, dentro
de um padrão idealizado por Humberto Vellame, eram discutidas
livremente com o autor, sempre instigado a opinar sobre todas as
etapas da edição e a acompanhar os preparativos com
lançamento, convites e divulgação. Cada livro
lançado era um congraçamento e uma vitória.
Quinze anos depois aqui estamos novamente – e com que alegria!
– cumprindo mais uma etapa e recordando, com emoção,
de um momento importante e prazeroso que não se esgota na
lembrança, confirmando sua permanência nesta proposta
de agora.