A PERIGOSA JORNADA DE UM HERÓI
Jornal
A Tarde -
20/05/2004
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Escritor,
jornalista e professor, Carlos Ribeiro apresenta a trajetória
de um homem em busca do Santo Graal no romance que lança
hoje, na Livraria Grandes Autores *Foto: Divulgação
por
Edson Rodrigues
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Carlos Ribeiro vem se transformando em um dos grandes nomes
das letras baianas na contemporaneidade. Aliás, seu
livro de contos O visitante noturno, lançado em 2000,
tem predicados suficientes para dar ao autor reconhecimento
nacional. Mas as engrenagens do mundo editorial poucas vezes
giram com perfeição quando a missão
é divulgar o talento de um autor radicado fora do
eixo Rio-São Paulo, e O visitante noturno não
desfrutou da distinção merecida.
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Agora,
o jornalista, professor e escritor Carlos Ribeiro publica novo
livro, o romance Abismo. O trabalho tem distribuição
nacional pela Geração Editorial e ganha lançamento
baiano hoje, às 18h30, na Livraria Grandes Autores (Av.
ACM). Abismo foi incluído com destaque no estande que a
Geração Editorial teve na Bienal Internacional do
Livro de São Paulo, em abril, e é uma aposta da
editora, que vê no trabalho um grande potencial de mercado.
"Abismo
trata da jornada do herói. Mas não daquele herói
intrépido que conhecemos, aquele que não vacila,
que não tem medo. Ao contrário, é um herói
moderno, que nutre um conflito permanente consigo próprio",
comenta Carlos Ribeiro sobre o livro cujo personagem principal,
aliás, não tem o nome revelado em nenhum instante
da história.
E
é através deste personagem, um jornalista apaixonado
por temas "insólitos", que o leitor vai sendo
introduzido no romance que mistura impressões sobre o conceito
de realidade, arqueologia, magia, busca pelo autoconhecimento,
física quântica, mitologia e outras referências.
Uma conjunção de informações que não
atrapalha o fluxo de leitura, pelo contrário, torna-o tão
prazeroso quanto desafiador.
Santo
Graal - Mas, afinal, o que busca o herói de Abismo? Nada
menos do que o Santo Graal, o cálice sagrado que, segundo
a tradição esotérica, seria o vaso que guardou
o vinho bebido por Jesus e que depois foi utilizado para recolher
o sangue de Cristo na cruz, dando ao objeto imenso poder espiritual
e simbólico.
Em
Abismo, este cálice, em tempos longínquos e de forma
enigmática, teria sido levado a um dos cânions dos
Aparatos da Serra, região do Rio Grande do Sul. Esta jornada
foi esquadrinhada por um professor de arqueologia, Ricardo, que
dedicou a vida à procura do cálice.
Só
que, ao encontrar sólidas pistas sobre o paradeiro do Graal
e descobrir o cânion onde ele era guardado, o professor,
já velho e cansado, se descobriu incapaz de empreender
a desgastante jornada necessária ao resgate da relíquia.
Daí confiar a busca do cálice ao jovem personagem
sem nome de Abismo.
"Ao
empreender a procura pelo Santo Graal, ao subir a serra e começar
a descer o cânion, o personagem do livro, o jornalista sem
nome, se vê diante das dificuldades do mundo real e dos
medos e incertezas de outro mundo, o simbólico. Isso vai
construindo um questionamento no personagem sobre sua própria
sanidade mental e também sobre os valores da vida. O personagem
vive a dúvida de estar experimentando um adentrar à
loucura ou uma ampla jornada de autoconhecimento", situa
Carlos Ribeiro.
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Acima dos rótulos
Todo o material de divulgação fornecido pela Geração
Editorial empreende um esforço em comparar Abismo com trabalhos
como O alquimista, de Paulo Coelho. Como se todo trabalho literário
que tenha como tema as mais insondáveis dúvidas
e medos do humano seja literatura de auto-ajuda. Mas a leitura
do novo romance de Carlos Ribeiro desautoriza este tipo de comparação.
É
verdade que o trabalho traz bons questionamentos e teses sobre
o fardo (ou será gozo?) de existir, mas a literatura oferecida
pelo romance ultrapassa as pretensões e qualidades dos
escritos de auto-ajuda que abundam no mercado.
"A
diferença básica é a questão da linguagem.
É nela que você reconhece o valor ou o não-valor
do escritor. Auto-ajuda é um rótulo que abrange
muita coisa: desde escritores oportunistas que querem ganhar dinheiro
com o filão em ascensão no mercado, como também
coisas importantes no sentido de auxiliar a humanidade. Mas em
termos literários, penso que só o valor da obra
deva classificá-la em sua importância estética:
ou é boa literatura, ou não é", pondera
o autor de Abismo.
Talvez
seja até mais fácil identificar na literatura de
Carlos Ribeiro outros ecos. Franz Kafka, Edgar Allan Poe, Jorge
Luis Borges, Joseph Conrad, Conan Doyle e Saint-Èxupery
misturam-se nas entrelinhas. Isso porque se Abismo tem muito de
literatura fantástica, de descrições sensoriais
e imagéticas, de situações que emprestam
arquitetura a sonhos, também traz, em todo seu percurso,
um instigante clima de aventura.
"Abismo
é também um livro de aventura, sim. É um
trabalho no qual busco criar um suspense, uma história
que tem um começo, um desenvolvimento, um ápice
e uma conclusão. É uma tradição que
anda meio desvalorizada em tempos pós-modernos, mas acho
que este formato traz um prazer de leitura que eu, pessoalmente,
gosto de valorizar".
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Irrequieto criador
Carlos Ribeiro, 46, é baiano, jornalista e mestre em literatura
pela Ufba. Irrequieto, transformou o trabalho de campo em ofício
e se dedicou por vários anos à divulgação
científica, participando de expedições à
Antártida, Amazonas e várias reservas naturais.
Em Abismo, aliás, esta faceta ecológica fica bem
evidenciada no personagem principal, que funciona como um alter-ego
do autor em seus questionamentos pelo valor de um jornalismo que
defenda as nossas reservas naturais e denuncie os maus-tratos
à natureza.
Entre
outros livros, publicou em 2000 o trabalho de contos O visitante
noturno e, um ano depois, colocou no mercado a sua dissertação
de mestrado, Caçador de ventos e melancolias: um estudo
da lírica nas crônicas de Rubem Braga. Foi um dos
escolhidos para participar das antologias de crônicas Oitenta,
publicada em 1996, e Geração 90: Manuscritos de
computador, lançada em 2001.
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FICHALivro:
Abismo
Autor:
Carlos Ribeiro
Editora:
Geração
Preço:
R$29 (200 páginas)