RECONHECIMENTO
Jornal
A Tarde -
14/10/2006
KAREN SOUZA
karen@grupoatarde.com.br
Escritor,
jornalista, professor, acadêmico.
Os títulos, no caso do soteropolitano Carlos Ribeiro, pouco
revelam sobre a sua alma literária.
Como poucos, ele transforma experiências em histórias
e palavras em emoção.
Eleito, na quarta-feira, em votação unânime,
para ocupar a cadeira de número 5 da Academia de Letras
da Bahia – que pertenceu ao também jornalista Guido
Guerra –, Carlos não nega que já esperava
pela escolha e que o fato de entrar para a Academia não
muda quem ele é. “Não foi propriamente uma
surpresa porque a decisão é costurada lentamente.
Já havia essa iniciativa há alguns meses”,
revela o escritor.
O fato de ter sido eleito por unanimidade é um fator positivo,
acredita Ribeiro. Ele garante que não gostaria de entrar
em confronto com ninguém e que a decisão mostra
que houve um consenso.
A data da posse ainda não foi definida, mas o novo acadêmico
acha que deve acontecer em maio: “Não tenho pressa.
É preciso preparar a recepção e, principalmente,
o discurso, o que exige um conhecimento mais profundo dos outros
ocupantes da cadeira”.
RENOVAÇÃO
– Nomes como José Carlos Capinan, Aleilton Fonseca,
Cleise Mendes e Rui Espinheira Filho foram escolhidos, nos últimos
anos, para integrar o corpo de intelectuais da ALB. Carlos Ribeiro
faz parte de uma nova geração de acadêmicos
que em nada se assemelha ao tom sério e distante com que
ainda é vista a Academia.
Apesar de, ao lado de Aleilton Fonseca, integrar a ala com menos
idade entre os acadêmicos, Carlos Ribeiro não acha
que o fato de ser mais jovem implique em uma mudança de
perfil da ALB.
“O que eu vejo é uma tendência em colocar escritores
e pessoas relacionadas a estudos literários lá dentro.
Acho essa tendência boa, embora não sejam só
escritores que entrem para a Academia”, diz.
Para Ribeiro, a literatura só tem a ganhar com mudanças
como essa, mas é preciso que os escritores se empenhem
em continuar estimulando atividades, produções e
publicações literárias: “Quero contribuir
nesse aspecto, algo que já vem sendo feito e que sempre
pode ser aprimorado”, lembra o também jornalista.
O autor, que em 1988 conquistou o primeiro lugar no concurso literário
promovido pela ALB, categoria Contos, garante que “até
pouco tempo, não alimentava o pensamento de ser acadêmico.
Até porque, acadêmico (no sentido de trabalhar como
professor), eu já sou. Não tenho preconceito em
relação ao título. Acho que ele pode ser
modificado, não negado”.
A
CONVIVÊNCIA – Ele admite ter aceitado o convite por
respeitar e admirar as pessoas que o convidaram e por saber que
poderia estar mais próximo de pessoas queridas.
“Não é toda hora que a gente pode conviver
com elas”, lembra Ribeiro, sem citar nomes, porém,
para não cometer injustiças.
Professor do curso de jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo
da Bahia, Carlos Ribeiro também espera ser um elo entre
a Academia e a universidade.