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ENTREVISTA - CARLOS RIBEIRO
OBRA DE RUBEM BRAGA. Caçador de ventos e Melancolias por Rondinelli Suave Caçador de Ventos e Melancolias: um estudo da lírica nas crônicas de Rubem Braga. Lançando este título o jornalista e professor Carlos Ribeiro esteve em Cachoeiro na II Bienal Rubem Braga. Baiano de Salvador, Carlos chega aos 50 anos com sete livros publicados em uma carreira de ficcionista, mestre e doutorando em literatura pela Universidade Federal da Bahia. Durante o lançamento de seu livro sobre a obra do escritor cachoeirense, Carlos falou com nossa reportagem. Sua experiência como cronista, ex-repórter do jornal A Tarde e em suplementos culturais o fazem tecer uma análise particular do que é (ou deve ser) um evento cultural como a Bienal Rubem Braga. Membro da Academia de Letras da Bahia, Carlos leciona no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB/Cachoeira. Ele mantém um site especializado em jornalismo e literatura na internet (www.carlosribeiroescritor.com.br). Nesta entrevista, há espaço para críticas, para um balanço da literatura nacional e também para falar do Velho Braga. Confira: Folha - É a primeira vez que vem em Cachoeiro? O que significa uma Bienal Rubem Braga? Carlos – Só agora estou conhecendo Cachoeiro. Em primeiro lugar a Bienal é o reconhecimento e valorização de um grande escritor que merece ser reverenciado, sobretudo na sua terra. A Bienal é uma forma de chamar a atenção das novas gerações e do público em geral para o trabalho de Rubem. O principal objetivo sempre é o próprio texto de Braga. Folha - O que te motivou a fazer o estudo crítico das líricas do trabalho dele? Carlos - Tenho uma afinidade com Rubem porque, como ele, sou jornalista e escritor. E a crônica representa esse ponto em que literatura e jornalismo confluem, se encontram. Quando pensei em fazer minha tese de mestrado – o livro Caçador de ventos e melancolias é fruto de minha dissertação – me lembrei que um ex-professor meu, escritor de Salvador, há muitos anos na faculdade me recomendou Rubem Braga como um autor que nos ajuda a escrever bem. Você lê Rubem e Graciliano Ramos e eles te ajudam a se expressar da mesma maneira limpa, clara e enxuta como faziam. Folha – Melhorou o ensino da literatura nas escolas brasileiras, desde a educação infantil e ensino superior até os cursos de jornalismo? Carlos - Tudo que envolve literatura em nosso país é marcado por equívocos imensos, inclusive os próprios eventos em torno de autores. Aqui, por exemplo, temos o lançamento de dois livros sobre Rubem Braga, que é o tema da Bienal, concorrendo com um artista popular (Gabriel, O Pensador) palestrando no auditório ao lado. Folha - O público é atraído para lá, migra para o que é popular... Carlos - Então... Mesmo em um evento de um autor importante da cidade, a grande maioria das pessoas não tem interesse pela leitura. Para chamar, conquistar as pessoas para a literatura, precisa-se de muita sensibilidade, planejamento, uma inteligência por trás disso. Senão fica uma coisa engessada. Nas escolas isso é mais grave ainda. Poucos professores gostam ou dedicam tempo à literatura, não tendo o senso de oportunidade para dar o livro certo ao jovem, aquele livro que vai conquistá-lo para a vida toda. É uma conquista que poucas pessoas sabem fazer Folha – Você traça esse retrato: auditório lotado e literatura em segundo plano. É isso ou uma impressão equivocada? Carlos - É o quadro do nosso país, com pouca tradição de leitura. Hoje, até na própria literatura, colocando as aspas devidas, quem são os autores que vendem mais? Normalmente os que têm a imagem associada à TV, a mídia. Então, muitos autores importantes são pouco lidos. Mesmo os que alcançam sucesso, tem seu livro publicado e reconhecimento da crítica, até eles tem essa limitação. O quadro é esse em termos de público. Pelo menos nos eventos literários espera-se que seja diferente... Folha - Porque “Caçador de ventos e melancolias”. Algo subjetivo? Carlos - Memória, clareza e sensibilidade. Crítica social marcante, tese de meu doutorado. A obra de Rubem tem sensibilidade lírica, mas com uma atuação social das mais marcantes em todo o século XX. Lancei o livro em primeira mão no Espírito Santo, depois de tê-lo lançado em 2004 em Salvador e na Bienal do Rio de Janeiro. Folha - Algo a dizer como contribuição à Bienal Rubem Braga?
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