TUDO AZUL NO RASO DA CATARINA
Leia O caçador de raridades

Revista da Bahia – Nº 18 Setembro/Novembro 1990

Carlos Ribeiro

Uma das maiores raridades do nosso país mede aproximadamente 70 cm, pesa cerca de 1 Kg, tem cor azul e voa por distâncias de até 100 Km, sobre uma paisagem árida e desolada, onde predominam arbustos retorcidos, espinhos e a solidão dos espaços vazios.

Essa preciosidade, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), foi considerada, durante 122 anos, como o maior enigma da ornitologia sul-americana – um mistério que persistiu desde a identificação da espécie pelo príncipe Charles de Bonaparte, em 1856, com bases e exemplares adquiridos por museus e zoológicos europeus, até sua descoberta na natureza, em 1978, numa expedição coordenada pelo professor Helmut Sick (ver entrevista).

A trajetória da ave, dos inóspitos sertões brasileiros até as civilizadas instituições de pesquisa do Velho Mundo, obedecia às leis de um negócio tão lucrativo quanto perverso, que infelizmente persiste até os nossos dias: o comércio clandestino de animais silvestres. Com um detalhe: naquele tempo era muito mais complicado estabelecer as rotas do tráfico, seja pelo simples fato de que o habitat desses animais eram geralmente locais de difícil acesso, seja pelos escassos recursos para se obter informações sobre esses , ou ainda pela ausência efetiva de uma fiscalização nesse sentido. Ainda não se falava em Ecologia, preservação da natureza ou em espécies ameaçadas de extinção. Vivia-se a idéia de que a natureza era, não apenas pródiga, como infinita.

O resultado dessa concepção é dramático: das centenas de araras-azuis que povoavam vastas áreas do Nordeste brasileiro, restam pífios 61 exemplares – uma população que depende para sua sobrevivência de elementos tão tênues quanto precários.

Em março de 1989, 12 anos após a histórica expedição do professor Sick, penetrei, juntamente com o fotógrafo Luiz Cláudio Marigo e o pesquisador Carlos Eduardo de Souza Carvalho, do Rio de Janeiro, na árida região do Raso da Catarina, pátria da leari e palco das sangrentas batalhas de Guerra de Canudos (1895/97) e das andanças de Lampião na década de 30. Lá, no coração silencioso dos canyons, um elo frágil da vida no nosso planeta sobrevive a duras penas, traçando sua rotina nos vôos diários dos paredões areníticos, onde põem seus ninhos, até as fazendas onde se alimentam.

Para chegarmos a esse santuário natural tivemos que percorrer longas e esburacadas estradas de terra, num caminhão da Sema (Secretaria do meio Ambiente, atual Ibama, responsável pela estação Ecológica do Raso da Catarina), e um longo trecho a pé, a partir da cidade de Cocorobó. Orientados por guias da região e devidamente auxiliados pelos fraternos jumentos, que carregavam nossos equipamentos, podíamos apreciar momentos de beleza e poesia, sob o Sol abrasador: pequenos birros afugentando um ameaçador gavião-pernilongo, seriemas com longas pernas, correndo pelos descampados, joões-de-barro construindo seus ninhos de barro e imponentes urubus-rei desenhando círculos no céu claro e iluminado do sertão.

O nome dado à arara-azul pelo príncipe Charles de Bonaparte, primo de Napoleão, foi uma homenagem ao pintor Edward Lear (1812-1888), que primeiro figurou A. leari na prancha nº 9 da sua obra Ilustration of the Family of Psitacidae or Parrots, editada de 1828 a 1832, em fólio grande. A partir daí passou-se a levantar a seguinte questão: de onde vinha essa ave? Não havia informações sobre os seus hábitos nem sobre o ambiente no qual vivia. Relatos do século passado indicavam-na como oriunda da Amazônia. Com o passar dos anos, as pesquisas apontavam para o Nordeste. Em 1950, Olivério Pinto, renomado pesquisador de aves brasileiras, concluiu que a pátria da espécie estaria no baixo São Francisco, nos estados da Bahia e Pernambuco. Nas décadas seguintes, várias expedições nacionais e estrangeiras varreram os sertões do Brasil, promovendo estudos botânicos, zoológicos, geológicos e paleontológicos. Foram feitas sondagens extenuantes sobre as araras. As respostas, vagas e insatisfatórias, referiam-se quando muito a outras espécies de araras-azuis: a Anodorhynchus yacinthinus (Lathan, 1790), que ocorre no Brasil Central e Sul da Amazônia, e a Cyanopsitta spixii (Wagler, 1932), na época freqüente no Nordeste e hoje considerada como a ave mais rara do mundo (ver quadro).

O desalento na procura desse psitacídeo chegou ao ponto de motivar o ornitólogo holandês Voous, uma das maiores autoridades em aves do mundo, a declarar: “Não procurem a leari. Ela não existe! A leari é um híbrido entre a A. Hyacinmthinus e A. glaucus”.

A procura poderia ter se encerrado com a enfática afirmação do pesquisador. Mas, também na Ciência, como em tudo na vida, existem os teimosos que colocam, no ponto final das afirmações definitivas, o seu ponto de partida. No inverno de 1978 começou a configurar-se a expedição decisiva. Diante do mapa do Brasil, o professor Sick e os seus então alunos Luiz Pedreira Gonzaga e Dante Martins Teixeira matutaram sobre a possível pátria da leari. Que remoto e desconhecido lugar poderia esconder, por mais de 100 anos, uma espécie de ave, resistente ao assédio dos mais persistentes cientistas? Em um “estalo” concluíram que a região mais provável localizava-se no coração das catingas mais áridas. O Raso da Catarina era o cenário ideal para o mistério.

A expedição partiu do Rio de Janeiro no dia 18 de dezembro de 1978. No dia 29 do mesmo mês, duas possantes toyotas chegaram a Euclides da Cunha. Em contato com os moradores da região registraram os primeiros indícios da ocorrência da espécie: as penas de um exemplar morto. Nos dias seguintes, a observação de campo confirmou a existência das araras.

A descoberta da leari foi uma sensação em todo o mundo ornitológico, mas a questão básica da preservação da espécie ainda estava para se resolver. A população era muito pequena – foram registrados 21 indivíduos –, a sua área de alimentação restrita, o assédio dos caçadores contínuo. A arara-azul-de-lear estava à beira da extinção.

Em 1988, os biólogos Ricardo Bonfim Machado e Alexander Brandt, de Minas Gerais, iniciaram os estudos, com o apoio do World Wildlife Found (WWF) e Fundação Biodiversitas, de Belo Horizonte. As atividades de campo foram interrompidas temporariamente, em dezembro do ano passado, com a morte de Brandt num acidente automobilístico.

O objetivo básico das pesquisas realizadas pelos biólogos era o de obter informações sobre o comportamento e a área de atuação da espécie. No artigo “Arara-azul-de-lear ameaçada”, publicado na revista Ciência Hoje (março de 1990), eles dizem que “o principal alimento da leari são os cocos de licuri (Syagrus coronata)”, e que as principais áreas de alimentação da espécie “situam-se nos pastos das fazendas de gado bovino e caprino, cuja formação se faz a partir da eliminação da caatinga, à exceção dessas palmeiras”.

As araras, segundo Brandt e Machado, se alimentam também do pinhão, das flores do sisal e do milho – um alimento alternativo para a espécie consumido em larga escala em algumas épocas do ano.

No I Encontro de Especialistas para a Conservação da A. leari, promovido pela Academia Brasileira de Ciências, no Rio de Janeiro, foram identificados e divulgados os principais fatores que ameaçam hoje a sobrevivência das 61 araras remanescentes, ou seja: queimadas para renovação das pastagens, utilização das plântulas e dos cocos de licuri como alimento para o gado bovino e caprino e pisoteamento do solo pelo gado – elemento esses que influem negativamente na renovação das palmeiras. A isto somam-se as atividades predatórias da caça e do comércio clandestino de aves com a existência de quadrilhas especializadas na captura de espécimes valiosos da fauna silvestre que são fornecidos às feiras livres e coleções particulares do Brasil e do exterior.

Outro problema grave diz respeito à falta de reservas que de fato protejam as araras. “A Estação Ecológica do Raso da Catarina, criada em janeiro de 1983, conta com uma área de 99.772 hectares e, ainda que extensa, não foi planejada para a proteção das aves”, dizem os biólogos. “A estação abrange um único ponto de reprodução e repouso das araras que não está definitivamente implantado. Toda a área de alimentação e um outro local que elas elegem para dormitório estão nas mãos de particulares e a criação de uma nova reserva é praticamente impossível porque o impacto social decorrente dessa medida seria muito elevado”.

As medidas necessárias para salvar essa espécie da extinção seriam: “assegurar os recursos alimentares nas áreas habitadas pela A. leari com o plantio de novos pés de licuri; proteção dos dormitórios existentes, com a compra de terras em mãos de particulares e ampliação da reserva, ,e implantação de um programa de conscientização ambiental, em que A. leari poderia servir de bandeira para a conservação da fauna e flora da caatinga”

Na realidade, não se deve pensar na preservação dessa espécie sem se compreender a importância ecológica do seu habitat. Ao contrário do que se costuma pensar, a caatinga – palavra indígena que significa “mata branca” e que se refere a uma região fitogeográfica de um milhão de quilômetros quadrados, 11% do território brasileiro – não é um deserto sem vida, mas sim um ecossistema único no mundo, no qual a fauna e a flora se caracterizam pela espantosa capacidade de resistência a um clima hostil e seco. Ali, a natureza mantém delicados mecanismos de sobrevivência, com adaptações funcionais que permitem à vegetação resistir a longos períodos de estiagem. Esses mecanismos se manifestam na queda das folhas ou até na substituição dessas por espinhos, o que possibilita às plantas evitarem a perda de água através da transpiração. Muitas espécies dispõem de recursos para a armazenagem de água, além de raízes profundas que atingem o lençol freático. Como resultado final desse processo, a paisagem sertaneja se apresenta aos olhos do visitante de forma contundente: entre os espinhos da vegetação retorcida e áspera, a vida parece estar muitas vezes por um fio, agonizando sob o Sol abrasador. Mas basta que caiam as primeiras chuvas para que a natureza se transforme e o verde renasça. É quando percebemos que o sertão (termo originário da palavra desertão) é na verdade um santuário de vida.

Após a caminhada pelo canyon, até a proximidade do dormitório das araras, subimos a serra de 58 metros de altura, através de uma trilha formada por cactos e plantas urticantes. Do alto descortinamos uma paisagem majestosa: o Sol, descendo no horizonte, preenchia de sombras as serras que se sucediam em camadas. Dali, avistávamos as formações geológicas de Cocorobó, os picos pontiagudos dos morros projetados sobre o platô, as serras e as escarpas nas quais as araras-azuis habitam. Improvisamos o nosso abrigo num cajueiro, próximo ao penhasco e aguardamos o momento em que elas retornariam das fazendas para as quais seguiam diariamente ao nascer do Sol, em busca do seu principal alimento: os cocos de licuri. O silêncio era quebrado apenas por um ou outro trinado das aves ou pelos mosquitos que zumbiam em nuvens, aos nossos ouvidos. Um vento fresco percorreu o canyon anunciando a noite. Ouvimos então o grito das araras – as primeiras a retornarem ao abrigo.

Após uma noite passada sob um frondoso jatobá, em cujos galhos armamos as nossas redes, retornamos às escarpas na manhã seguinte. De lá, seguimos para uma das fazendas freqüentadas pela leari – um local mais aberto e, portanto, mais fácil para fotografá-la. Avistamos um grupo de 21 araras sobrevoando as baraúnas, paus-ferros, juazeiros e algarobas. Pousadas sobre árvores secas, elas permanecem atentas, na paisagem ampola, para os seus possíveis predadores.

Desconfiam, sobretudo, dos homens, dos quais procuram manter-se a uma distância segura. Mas não escaparam dos nossos olhos, e das lentes do fotógrafo, que registravam a maravilha de um ser único no Universo, tão próximo da aniquilação. A arara-azul-de-lear não é mais um enigma, e sim um símbolo de esperança – um crédito da natureza à consciência dos homens.


PROFESSOR SICK:
EM BUSCA DAS ARARAS-AZUIS

O professor Helmut Sick chegou ao Brasil em 1939, como membro de uma expedição científica do Museu de Berlim. Neste meio século de vida em um país tropical que o conquistou à primeira vista, ele acrescentou à sua biografia um acervo de histórias tão grande quanto a sua obra (ele é autor, dentre uma infinidade de trabalhos científicos, do clássico Ornitologia Brasileira, em dois volumes, o mais completo estudo sobre a avifauna do nosso país). Suas aventuras começaram pouco tempo depois da sua chegada ao Rio de Janeiro. “Com o início da II Guerra Mundial e com a entrada do Brasil no conflito, em 1942, fiquei numa situação muito difícil. A polícia foi atrás de mim. Diziam: ‘Esse sujeito diz que observa passarinhos, nada disso, ele é um espião muito perigoso, um espião desgraçado, né?”. Como resultado dessa suspeita, Herr professor passou três anos preso na Ilha Grande, onde encontrou tempo à vontade para realizar um estudo sistemático sobre cupins, identificando 11 espécies novas.

Em 1945, quando saiu da prisão, o professor Sick juntou-se aos irmãos Villas-Boas em uma das mais importantes aventuras exploratórias do Brasil, a lendária Expedição Roncador-Xingu, que explorou o Brasil-Central com o objetivo de ligar a região com estradas e desenvolver aquela parte do Brasil. Da experiência, além dos contatos com índios, animais selvagens e dos valiosos frutos de suas pesquisas, herdou uma malária crônica. Anos depois, quase foi preso, em Belém do Pará, após ter sido confundido pelos habitantes da zona rural com o Chupa-Chupa, um ente terrível que, à noite, chupa o sangue das mulheres. “O pessoal estranhou a minha figura: eu lá, horas e horas, observando com binóculos o ninho de uma Iodopleura, né?”

Mas a grande aventura do professor Sick, segundo ele próprio, foi a descoberta da A. leari, no Raso da Catarina, e que ele conta na entrevista realizada no seu apartamento em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, onde vive em meio a um verdadeiro museu da história natural do Brasil.


Professor, como se deu a sua descoberta da arara-azul-de-lear, no Raso da Catarina?

Eu procurei durante muitos anos a leari. Ela tinha mesmo que vir de lá do Nordeste. Eu tinha quase certeza que seria o Piauí, mas não encontramos nada lá. Um dia, estudando esse problema com Dante, aqui no Rio, nós olhamos o mapa do Raso da Catarina, um lugar de população escassa, famoso pelas andanças do bandido Lampião que se escondia lá e ninguém conseguia pegar, porque é uma caatinga de penetração difícil com aqueles canyons. De maneira que eu disse ao Dante: vamos tentar o Raso da Catarina. E foi lá que a encontramos quando eu já estava quase no fim das minhas esperanças. E a coisa mais curiosa é que durante anos já existia uma estação ecológica da Sema no Raso da Catarina. Mas a região nunca foi penetrada pelo sul, todo mundo ia pelo norte, a partir de Paulo Afonso, onde tem estrada. Então o pessoal da Sema entrou pelo lado norte e criou a Estação Ecológica sem saber que, lá no fim, quase no limite do Raso, havia aquela arara raríssima.

O Sr. a encontrou logo que chegou à região?

Quando cheguei a Euclides da Cunha encontrei um vaqueiro e perguntei: “Que tipo de arara existe aqui?”. Ele disse que eu existia uma arara azul. Isso não dizia nada: existem outras espécies de araras azuis. Então perguntei: “Você não guardou qualquer coisa?”, e ele disse: “Sim, senhor, eu guardei a cabeça, mas o meu cachorro comeu a cabeça”. Eu fiquei triste, até que ele lembrou: “Ah! Mas eu tenho no meu sítio umas penas”. Justamente as penas que são a minha especialidade maior dentro da ornitologia. Pena pra mim é tudo. Ele trouxe praticamente uma cauda inteira. Então eu vi que era a leari. A cauda da yacinthinus é muitíssimo mais longa e a tonalidade do azul é diferente. No dia seguinte, vimos de longe umas araras-azuis. Depois do segundo e do terceiro dias já tínhamos visto demais. Ficamos ainda quase um mês no Raso da Catarina para delimitar bem a área, ter a certeza de que ela só ocorria lá.

O que o Sr. pode destacar como mais importante em toda a sua carreira profissional, na sua relação com a Ciência e com a natureza?

Acho que foi justamente aquele encontro com a leari. Foi uma coisa imensamente importante para mim. Vocês nem podem imaginar. Hoje, o nosso amigo Luiz Cláudio Marigo tem belas fotografias da leari, todo mundo pode ir lá, pode ver as fotos, mas naquele tempo fazia mais de 100 anos que a procuravam e não a achavam. Um dos ornitólogos mais importantes do nosso tempo já tinha publicado: “Não procurem a leari. Ela não existe! Ela é um híbrido entre A. yacinthinus e A. glaucus”. (Rindo) Quem disse isto foi um ornitólogo holandês, Voous, um grande amigo meu. Dessa vez, no entanto, ele estava errado. Apesar de tudo, a leari existe.


A AVE MAIS RARA DO MUNDO

A ave mais rara do mundo vive na Bahia. O alerta foi dado no último mês de julho pelos integrantes de uma expedição patrocinada pelo Conselho Internacional para Preservação das Aves (International Council for Bird Preservation – ICBP). A entidade acrescenta à informação um apelo dramático no sentido de que as autoridades brasileiras tomem providências urgentes para salvar a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) da extinção. Só existe atualmente um único exemplar dessa espécie vivendo na natureza.

A expedição, composta por pesquisadores brasileiros e britânicos, percorreu mais de sete mil quilômetros em duas toyotas, durante um mês, investigando os últimos sinais de uma espécie cobiçada por colecionadores de diversas partes do mundo. Encontraram uma única ararinha vivendo em companhia de outra espécie de ave, a Ara maracana, próximo de onde foi encontrada pela primeira vez, há 170 anos. Atualmente calcula-se que existam cerca de 15 spixii em coleções particulares espalhadas pelo mundo. Segundo o ICBP, a única possibilidade de salvação da espécie em estado natural é a de que os colecionadores possam devolver à natureza pelo menos uma dessas aves, de forma que se possa estabelecer um centro de salvação e gerar novos filhotes.

Para o Dr. Christoph Imbodon, diretor geral do ICBP, “não é possível que hoje, com tantas preocupações em todo o mundo pela conservação da natureza, aconteça de uma espécie como a Spix´s Macaw desaparecer debaixo dos nossos narizes como resultado da ação ilegal de comerciantes inescrupulosos e bem organizados. Lamentavelmente este não é o único caso. Há um número grande de outras aves altamente apreciadas e que deverão desaparecer pela mesma razão”.

Diante de uma situação com essa gravidade, apresentamos uma sugestão: que o governo da Bahia adote a spixii como o símbolo do nosso estado, algo semelhante ao que o urso panda representa para a China, ou o canguru para a Austrália, por exemplo. A ararinha passaria a ser um símbolo da preocupação ecológica dos nossos governantes. E que se tome medidas práticas, urgentes e definitivas para salvá-la da extinção. Afinal, não é todo mundo que tem em suas mãos a possibilidade de salvar a espécie de ave mais rara do mundo.


INFORMAÇÕES ATUALIZADAS:
A preservação da leari tem obtido sucesso. Atualmente existe uma população estimada em 600 exemplares, incluindo populações novas, descobertas no Raso da Catarina e em Sento Sé, no sertão da Bahia. Quanto à spixii, a notícia é triste: com o desaparecimento, em 2002, do exemplar de Curaçá, a ave mais rara do mundo foi declarada extinta na natureza. Veja mais informações sobre as aves no site da revista Atualidades Ornitológicas: www.ao.com.br : consultar livro Aves da pátria da leari, de Pedro Lima.