DESENVOLVIMENTO COM INCLUSÃO


Meu amigo Raimundo Rocha, jornalista e publicitário com grandes serviços prestados a esta região do nosso Estado – quem não se lembra das reportagens ecológicas, publicadas no tablóide Litoral Norte, editado e mantido por ele nos anos 90 – retorna agora, após um período morando nos Estados Unidos, com este tão necessário projeto de uma publicação voltada para o meio ambiente.

Trata-se de um desafio que deve ser acolhido com entusiasmo por moradores, líderes políticos e empresariais, militantes de Ongs, comerciantes e, enfim, por todos os que reconhecem, nesta extensa área que se prolonga até a foz do Rio Real, um dos patrimônios naturais mais importantes da Bahia. Patrimônio que deve ser preservado em sua rica biodiversidade, mas também no que se refere à rica expressão cultural dos seus habitantes tradicionais, a exemplo de pescadores, lavadeiras, artistas e artesãos.

A importância deste jornal, como elemento de conscientização das questões ambientais, pode ser melhor dimensionada quando verificamos a forma como se deu, aqui, o processo de expansão urbana, sobretudo nos últimos 40 anos. Expansão que resultou na poluição de rios, riachos, praias, lagoas, aqüíferos e do próprio oceano, além da poluição do ar e destruição de inúmeros ecossistemas em nome de uma noção de progresso baseada mais na exclusão social e no lucro rápido e exorbitante, do que num efetivo desenvolvimento de todos os segmentos aqui existentes.

Foi colocada em prática a estratégia perversa de um bem planejado estupro de regiões naturais paradisíacas, ao mesmo tempo em que se propagava, aos quatro cantos, os seus encantos de virgem. Promoveu-se uma desarticulação cultural sem precedentes, na ponta da lança de fetiches de desenvolvimento econômico, pulverizando nichos de produção cultural, com seus autênticos artesãos, cantadores, capoeiristas, ganhadeiras, grupos de reisados, filarmônicas e sambas de roda – substituídos por caricaturas grotescas fabricadas para turista ver.

Mas, nas marchas e contramarchas da história, verifica-se hoje uma busca conjunta de soluções para diversos problemas sócio-culturais e ecológicos, que envolve ambientalistas e líderes comunitários, mas também políticos e empresários, entre outros agentes sociais, culturais e econômicos que trabalham hoje para o desenvolvimento do litoral norte baiano. Que o Bahia Norte seja porta-voz desse movimento.



Carlos Ribeiro / Jornalista e Escritor
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